Projeto de extensão, UFSB
Atendimento Psicológico para Povos e Comunidades Tradicionais
Descrição
Este projeto de extensão propõe uma reorientação epistemológica e prática da Psicologia no Sul da Bahia, fundamentando-se na Psicologia Indígena e no pensamento decolonial. A justificativa central reside na crítica ao caráter eurocêntrico da Psicologia tradicional brasileira que, desde a colonização, silenciou saberes de matrizes afro-indígenas ao rotulá-los como "atrasados". O projeto busca integrar cosmovisões que defendem a indissociabilidade entre seres humanos, natureza e espiritualidade. O objetivo geral é oferecer serviços psicológicos para comunidades indígenas, quilombolas, ciganas e de terreiro, conectando o saber acadêmico aos territórios tradicionais. O referencial teórico da Psicologia Indígena atua como um lócus de mediação, onde o conhecimento científico dialoga horizontalmente com saberes ancestrais. Ao contrário do foco individualista clássico, esta perspectiva baseia-se no coletivismo e no conceito de "Bem Viver", compreendendo a saúde mental como harmonia com a Terra. A metodologia inclui a capacitação de estudantes de Psicologia da UFSB, que realizarão atendimentos sob supervisão docente, utilizando modalidades como psicoterapia semanal, plantão psicológico para crises e rodas de conversa. O projeto atua em um território marcado por conflitos de terra e resistência de etnias como Pataxó, Tupinambá e comunidades quilombolas. A iniciativa é também uma resposta aos altos índices de evasão entre estudantes de grupos vulnerabilizados, reconhecendo que o apoio financeiro é insuficiente se não houver um acolhimento que respeite suas identidades e modos de "andar a vida". Como resultados esperados, o projeto prevê a oferta de 32 vagas de psicoterapia e oito ciclos de plantão psicológico ao longo de sua execução. Além disso, busca-se a produção de relatos de experiência acadêmicos, a participação em eventos científicos e a consolidação de uma formação profissional mais ética e conectada à realidade étnico-racial brasileira. Em última instância, o projeto pretende fortalecer os vínculos comunitários e a preservação da vida, promovendo uma cultura de paz e reparação histórica no Sul baiano.
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