Projeto de extensão, UFSB
LEVANTAMENTO DAS TRANSFORMAÇÕES NA CAPACIDADE ALIMENTAR DE FAMÍLIAS QUE TRANSITARAM DA CACAUICULTURA PARA A AGRICULTORA FAMILIAR EM UMA ESCOLA DO CAMPO NO DISTRITO DO UBU, BELMONTE
Descrição
Trata-se de uma ação de extensão que derivou do Projeto de Pesquisa e Extensão amplo, intitulado “RECONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DO MUNICÍPIO DE BELMONTE, BAHIA, 25 ANOS APÓS O FIM DA ECONOMIA DO CACAU: MEMÓRIA, PATRIMÔNIO CULTURAL, IDENTIDADES E DINÂMICAS DE PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEAS ” No curso das atividades desse Projeto, visitas a campo foram efetuadas com estudantes de graduação em Antropologia e do BI Humanidades, da UFSB que estavam cursando o componente “Antropologia das Populações Rurais e do campesinato”. Como parte dos estudos sobre processos de territorialização, estuda-se a formação de comunidades ao longo do tempo, com base na alteração das atividades econômicas e trânsitos de famílias pela localidade. Foram visitados o assentamento PROJETO PIAÇAVA, a tradicionalíssima comunidade aparentemente resquicio de quilombos, a CEPA, e a comunidade do UBU, onde pequenos agricultores familiares conhecidos por sua produção de alimentos que abastecem as cidades de Belmonte e de Barrolândia. No UBU, fizemos uma longa entrevista com uma viúva, matriarca de uma família de lavradores que originalmente trabalhavam como “tabaréus” em uma fazenda de cacau no município de Canavieiras. Ao levantar sua genealogia e história de vida, conseguimos identificar a sua chegada junto com seu finado esposo, seu processo de estabelecimento nesse novo território e diversificação das atividades de plantio e criação de pequenos animais. Tratava-se de um interessante processo de “recampenização” pelo qual um “morador” de um grande fazendeiro, sem direito à terra, recebeu “direitos trabalhistas” e pode adquirir uma pequena propriedade, passando a praticar a agricultura camponesa com sua pluriatividade, diversidade, e multifuncionalidades. Confirmando o que havíamos estudo no componente sobre campesinato, ao analisar a divisão da terra após a morte do patriarca, encontramos um padrão tipicamente camponês de partilha, com todos os filhos se situando ao redor da casa materna produzindo assim o embrião de um povoado. Eu já havia, em pesquisa anterior, encontrado um fenômeno semelhante na Bahia, que batizamos, aproveitando a fala de um entrevistado, como um processo de ”familiação”. Assim, considerei que essa seria uma situação ideal para um estudo de caso aprofundado sobre os processos de territorialização e as novas dinâmicas de produção camponesas, objeto principal de pesquisa do PROJETO mãe. Falando claramente, a ideia é acompanhar os processos pelos quais o trabalho em um sistema de monocultura (como o do cacau) se transforma em uma produção diversificada e voltada para a alimentação, quando há uma libertação dos padrões tradicionais do coronelismo de monocultura voltado para o mercado, nos quais os “moradores” trabalham sem possuir a terra e sem o direito à produção própria. A hipótese é a de que a qualidade de vida e a segurança alimentar se fortalece Dentre os alunos que estavam presentes, uma ficou especialmente interessada em acompanhar o fenômeno. Em se tratando da comunidade considerada a maior produtora de alimentos no município, decidimos iniciar uma observação etnográfica voltada para a alimentação das famílias ao longo do período de um ano, através da observação de crianças que frequentam a Escola Municipal do UBU. O entrosamento ocasionado pelos trabalhos anteriores garantiu a colaboração da Secretaria de Agricultura do Município, Helisandra Marques de Souza, que tem aprofundado nosso transito entre assentados locais e produtores agrícolas no UBU, além de fornecer insights impodtanantes para a ação. O Secreário de Educação, Igor Suzart Mega, tem aberto as portas das escolas para nosso trabaloho e promovido a aproximação com professores, além de facilitar o treasnporte da equipe pelos istritos.
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