Projeto de extensão, UFSB
Dobras da memória afroindígena: mestras, cantos, cadernos de viagem e volta.
Descrição
Trata-se da continuidade de dois projetos de extensão realizados no ano anterior: “Dobras da Memória Afroindígena - Saberes Incorporados e Cadernos de Viagem”(2025)e "Escuta, cantos e saberes: de Santo André a Belmonte"(2025). Os projetos têm como objetivo estabelecer diálogos profundos com as comunidades locais, registrando coletivamente, nos cadernos de viagem, suas memórias, poéticas, saberes e expressões culturais. Além disso, compomos um coletivo com terreiros de candomblé, aldeias Pataxó, escolas (indígenas e públicas), colaboradoras da pesquisa (sambistas, cineastas, fotógrafas, escritoras), mestras e discentes. Busca-se reativar (retomar) memórias e atravessamentos históricos, prevendo uma execução participativa e colaborativa, contracolonial, sonhando saberes tradicionais incorporados nas esferas biopoéticas e transversais das comunidades. Pretende-se figurar e registrar o caminho que abrange esses saberes concretos na passagem para espaços acadêmicos e artísticos, mas que permanecem essencialmente fincados nos lugares em que se encontram. Esse percurso delineia e fortalece as “escolas vivas”, os cadernos e objetos poéticos, as razões afroindígenas, os materiais, as metodologias e as memórias interculturais. O eixo maior é dado pela escuta ativa e pela biografia ampliada, escuta que desenha as práticas poético-pedagógicas vivas, as políticas cotidianas, que atravessam os corpos e lugares “bio-mito-gráficos” das/es mestras/es, pesquisadoras/es docentes, colaboradoras/es e discentes. Está em consonância com as pesquisas desenvolvidas ao longo dos anos, no campo das artes, e por mim coordenadas: desde “Poema, experiência, comunidade” (2015-2021) até a pesquisa atual “Bio-mito-grafemas como método: memórias materiais da comunidade”(2022-2028), também com outros projetos em rede da linha extensionista em que atuo como coordenadora local, “Escolas Vivas: pedagogias territorializadas e materiais didáticos diferenciados” (2022-2025), “Ensino como ato poético” (2022-2024) e ainda com a BAP “Sobreimpressão biopoética, estrada, mestras, pedagogias vivas” (2024-2026). A ação busca criar um espaço de troca onde os conhecimentos ancestrais possam emergir e ser documentados, fortalecendo a identidade cultural desses territórios e as memórias afroindígenas constantemente apagadas (na estrutura histórica da colonização). As comunidades participantes serão as que se desdobram dos projetos anteriores: poéticas espirituais e seminários sobre o candomblé - “Ilé Ibirìn Omi Asé Aiyra” (Salvador) e “Ilê Axé d´Omin” (Trancoso); Oficinas afroindígenas coletivas e mostras artísticas - “Escola Estadual Indígena Coroa Vermelha” (Santa Cruz Cabrália) e “Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica de Porto Seguro”; retorno e nova viagem às comunidades de Belmonte, Guaiú, Santo Antônio, Santo André e às aldeias Pataxó Coroa Vermelha e Mata Medonha levando os materiais produzidos no ano anterior. Levaremos impressões gráficas, registros audiovisuais, imagens (fotografias e desenhos), cantos e a compilação dos cadernos. Busca-se compor metodologias sobre o caderno, sobre as imagens, sobre bio-grafias ampliadas e poéticas ancestrais. Instaurar um campo territorializado em que a memória desse “conhecimento vivo” possa-se grafar (sem hierarquias) nas dobras do corpo e nas dobras das páginas dos cadernos, e nas imagens dos lugares, do bioma e das telas, e nas danças e ritos, e na capacidade de resistência histórica. E voltar.
Candidatar-se
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