Projeto de extensão, UFSJ
Ratio Recta – resgatando o estudo da lógica
Descrição
A educação brasileira enfrenta uma crise marcada pela perda do pensamento crítico e pela ausência do ensino sistemático da lógica, disciplina há muito extinta dos currículos escolares. Essa lacuna compromete a formação analítica e argumentativa dos estudantes e evidencia a necessidade de ações que resgatem o valor da razão e da clareza intelectual. A presente ação propõe a criação de um núcleo permanente de estudos da lógica, com aulas e encontros semanais gratuitos abertos à comunidade de Sete Lagoas e à comunidade acadêmica da UFSJ. O projeto busca estruturar um curso introdutório de oito meses, produzindo material didático em português fundamentado em obras e materiais didáticos já internacionalmente consolidados em sistemas de ensino. O projeto proposto inspira-se em um dos pilares da proposta elaborada para a criação do Grupo PET do Curso de Engenharia de Alimentos (PET-CEALI), submetida ao Edital nº 4/2024 do MEC, que obteve a primeira colocação na seleção interna da UFSJ, reafirmando seu mérito e relevância institucional. Espera-se como resultado o desenvolvimento do raciocínio, da clareza de expressão e do discernimento intelectual dos participantes, além de promover a inclusão social e o aprendizado multilateral entre a universidade e a comunidade. O projeto reafirma, assim, o papel da UFSJ como agente de transformação social, integrando ensino, cultura e extensão em favor de uma sociedade mais crítica, racional e colaborativa. A lógica, entendida como instrumento do pensamento ordenado e expressão racional da verdade, é uma das colunas centrais da formação intelectual desde a Antiguidade. No conjunto das artes do trivium — gramática, lógica e retórica —, é a que ensina o discernimento e a coerência entre o pensar e o dizer. Grandes pedagogos e ideólogos da educação afirmam a importância do estudo da lógica (ou dialética) como um elemento central da formação humana ao longo da história. Conforme Platão (2000) em sua obra A República, a educação deve conduzir a alma “do mundo das sombras para a luz do ser”, e tal processo exige o exercício constante da razão. Entretanto, o cenário educacional brasileiro revela graves deficiências em raciocínio lógico e leitura crítica. Dados do PISA e do INEP apontam que menos de 10% dos estudantes dominam plenamente leitura e matemática (GAZETA DO POVO, 2014; INEP, 2018; EXAME, 2022). O SAEB (2019) mostra que apenas 14% dos alunos do 3º ano têm compreensão adequada de textos, evidenciando a urgência de iniciativas que estimulem o pensamento lógico e o uso consciente da razão. Na tradição das artes liberais, a lógica é mais que técnica argumentativa: é disciplina do intelecto. Hugo de São Vítor (1961) a define como arte que liberta o homem da ignorância, permitindo-lhe ordenar o pensamento e compreender a realidade. Sertillanges (2005) reforça que “a vida intelectual é uma vocação que exige método e disciplina”, virtudes que encontram na lógica seu campo natural de formação. Autores modernos, como Dorothy Sayers (1947), defendem o retorno ao trivium como base da educação autêntica, denunciando que o ensino contemporâneo prioriza informação em detrimento da capacidade de pensar. Na mesma linha, Perrin (2014) afirma que “a lógica ensina o estudante a pensar bem para viver bem”, e Clark & Jain (2013) a descrevem como ponte entre conhecimento e sabedoria, que “treina a mente para perceber as causas e conexões que estruturam o mundo”. Inspirado neste contexto, a atual proposta nasce como uma das vertentes da ação idealizada e submetida ao Edital nº 4/2024 do MEC, que visava a criação de um programa PET do curso de Engenharia de Alimentos (PET DEALI/UFSJ), classificada em primeiro lugar na seleção interna da universidade. Ainda que não financiada, a proposta destacou-se pela relevância institucional e inspirou a criação de um núcleo permanente de estudos de lógica, aberto à comunidade acadêmica e à população de Sete Lagoas. O presente projeto de extensão propõe consolidar esse núcleo como espaço de estudo, prática e diálogo racional, reafirmando o compromisso da UFSJ com a formação crítica, a razão e a liberdade intelectual.
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