Projeto de pesquisa, UFRN
Tecnologia terapêutica inovadora para o manejo da dor neuropática no SUS: desenvolvimento de formulação tópica neuroprotetora à base de Cannabis sativa e pirenzepina
Descrição
Resumo do Projeto A dor neuropática é uma condição clínica crônica e altamente incapacitante, decorrente de lesões ou doenças do sistema nervoso somatossensorial, com elevada prevalência em neuropatia diabética periférica e neuropatia induzida por quimioterapia. Essas condições estão associadas à degeneração progressiva dos nervos periféricos, disfunção mitocondrial, inflamação persistente e ativação de vias apoptóticas, resultando em hiperalgesia, alodinia e comprometimento funcional. Diante das limitações terapêuticas atuais, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), torna-se necessária a investigação de estratégias inovadoras, seguras e eficazes. Este projeto propõe o desenvolvimento e avaliação pré-clínica de uma formulação tópica inovadora à base de extrato de Cannabis sativa, enriquecido em canabidiol (CBD) e terpenoides, associada à pirenzepina, antagonista seletivo dos receptores muscarínicos M1, com reconhecido potencial neuroprotetor e neuroregenerativo. A proposta visa não apenas o controle sintomático da dor neuropática, mas também a modulação dos mecanismos celulares envolvidos na degeneração e regeneração nervosa periférica. Modelos Animais Serão utilizados camundongos Swiss adultos, mantidos sob condições controladas. Dois modelos experimentais de dor neuropática serão empregados: Neuropatia diabética, induzida por estreptozotocina (STZ) na dose de 55 mg/kg, via intraperitoneal, por 5 dias consecutivos, com confirmação do estado diabético e desenvolvimento de hiperalgesia. Neuropatia induzida por quimioterapia, obtida por administração de vincristina (0,1 mg/kg, i.p.), uma vez ao dia, por 10 dias consecutivos, protocolo consagrado para indução de neuropatia sensorial periférica. Após a confirmação da neuropatia, os animais serão tratados topicamente com a formulação desenvolvida por 15 dias consecutivos, com aplicações três vezes ao dia. Metodologias O estudo será conduzido em etapas sequenciais: Desenvolvimento farmacotécnico da formulação tópica, incluindo obtenção do extrato de Cannabis sativa com preservação de CBD e terpenoides, incorporação à base tópica e associação com pirenzepina. Caracterização físico-química, avaliando pH, viscosidade, espalhabilidade, perfil reológico e estudos de estabilidade acelerada. Avaliação de biocompatibilidade cutânea in vivo, com aplicação tópica em diferentes períodos (3, 7, 14 e 30 dias), monitorando sinais clínicos, comportamento, peso corporal e alterações histológicas da pele. Avaliação da eficácia analgésica, por meio de testes comportamentais consagrados: Sensibilidade mecânica: Von Frey e Randall & Selitto Sensibilidade térmica: Hot Plate Avaliação motora: Rota Rod Análises bioquímicas, moleculares e morfológicas, incluindo: Dosagem de citocinas inflamatórias (IL-1β, IL-6 e TNF-α) por ELISA em tecido da pata; Análise da expressão gênica por RT-PCR de marcadores de regeneração nervosa (GAP-43, PGP 9.5), suporte neuronal (S100β, MBP) e função mitocondrial (p-AMPK, PGC-1α); Imunohistoquímica para GAP-43 e PGP 9.5; Avaliação histopatológica e bioquímica de órgãos-alvo (rins, fígado, coração e pulmões) para investigação de segurança e toxicidade sistêmica. Análise dos Dados Os dados comportamentais, bioquímicos, moleculares e histológicos serão analisados de forma integrada, permitindo a correlação entre efeito analgésico, modulação inflamatória, preservação/regeneração nervosa e segurança sistêmica da formulação. Testes estatísticos apropriados serão aplicados conforme a distribuição dos dados, adotando-se nível de significância de 5%. Impacto Esperado O projeto visa gerar evidências pré-clínicas robustas para uma tecnologia farmacêutica tópica inovadora, com potencial aplicação no manejo da dor neuropática, redução de efeitos adversos sistêmicos e possibilidade futura de incorporação ao SUS. Adicionalmente, contribui para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, incentivando a inovação, a produção local de tecnologias em saúde e a translacionalidade dos achados científicos.
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