Projeto de pesquisa, UFRN
Influência do tamanho corporal, da ecologia alimentar e da coloração da pelagem sobre os padrões de visão de cores em primatas do Novo Mundo (Platyrrhini)
Descrição
Os primatas do Novo Mundo (Platyrrhini) apresentam um notável polimorfismo de visão de cores, no qual fêmeas heterozigotas são tricromatas e os demais indivíduos são dicromatas. Duas hipóteses principais explicam a manutenção desse polimorfismo: a vantagem dicromática para detecção de insetos crípticos e a vantagem tricromática para detecção de frutos maduros e folhas jovens. Recentemente, uma terceira hipótese foi proposta, demonstrando que tricromatas também são mais eficientes na detecção de predadores de pelagem amarelada. Este projeto tem como objetivo investigar a correlação entre tamanho corporal (massa em kg), ecologia alimentar (percentuais contínuos de insetos, frutos e folhas na dieta), coloração da pelagem (conspícua ou críptica, classificada sob a perspectiva do observador humano tricromata) e padrões de visão de cores (frequência de tricromatas na população ou tipo de sistema visual) em primatas neotropicais. Será realizada uma compilação de dados da literatura para gêneros representativos de Platyrrhini, seguida de análises estatísticas e filogenéticas, incluindo regressão filogenética de mínimos quadrados generalizados (PGLS) para controlar o efeito do parentesco evolutivo. Do ponto de vista estatístico, espera-se que a frequência de tricromatas na população esteja negativamente correlacionada com o percentual de insetos na dieta, e positivamente correlacionada com o percentual de frutos e folhas jovens na dieta. Espera-se também que a frequência de tricromatas seja maior em primatas de maior porte corporal, uma vez que estes não podem obter proteína suficiente de insetos e dependem mais de folhas e frutos, mas com exceções previstas para linhagens com baixo risco de predação. Adicionalmente, espera-se que espécies com pelagem conspícua (especialmente tons amarelados e avermelhados) apresentem maiores frequências de tricromatas, consistente com a hipótese de que a capacidade de discriminar cores atua como um viés pré-existente para a evolução de sinais visuais. Os resultados contribuirão para uma compreensão mais integrada das forças seletivas, incluindo alimentação, predação e seleção sexual, que moldaram a evolução da visão de cores nos primatas.
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