Projeto de pesquisa, UFRN
Ecologia urbana de Callithrix jacchus no Campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Descrição
A perda e a fragmentação de habitats são as principais causas do declínio da biodiversidade global. Os primatas, majoritariamente arborícolas, são altamente vulneráveis a essas alterações, com cerca de 66% das espécies mundiais e 39% daquelas do Brasil sob algum grau de ameaça. Contudo, o ambiente urbano apresenta uma paisagem complexa onde algumas espécies conseguem persistir. A resposta de espécies de primatas a essas alterações é variável, e alguns animais parecem resistir às paisagens urbanas. Essa persistência pode depender dos recursos disponíveis, e algumas vezes envolve alterações comportamentais, na dieta e no uso do habitat, se comparados às populações em florestas, e pode ainda ser favorecida pela ausência de predadores naturais. Esse ambiente também impõe riscos, como eletrocussões, atropelamentos, predação por animais domésticos e maior suscetibilidade à transmissão de doenças. O sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus) é um primata endêmico do Brasil que ocorre na região nordeste, em áreas de Mata Atlântica e Caatinga. Uma população expressiva de C. jacchus ocorre no Campus Central da UFRN (Natal, RN), local urbano em que existe arborização espaçada e os pequenos bosques nativos. Investigar como essa espécie utiliza o espaço, a estrutura urbana, e a dinâmica populacional nesses ambientes é fundamental para entender estratégias associadas à conservação e manejo em ambientes antropizados. O objetivo desta pesquisa é investigar a ocorrência, distribuição e uso do espaço, abundância e composição sexo-etária dos saguis no Campus Central da UFRN, uso das estruturas urbanas e potenciais ameaças e riscos para os saguis. A área de monitoramento no Campus Central da UFRN é de aproximadamente 80 hectares, e inclui fragmentos de bosques nativos, jardins arborizados com espécies nativas e exóticas, e áreas construídas. As coletas de dados semanais são realizadas a pé ao longo de um circuito de 7,38 km, distribuídas entre os turnos da manhã e da tarde. Serão registrados avistamento ou outros tipos de detecção (por visualização, vocalização, escarificação, fezes ou carcaças), número de indivíduos, sexo, classe etária, atividade no momento do registro, uso do habitat (tipo de suporte, estrato vertical e altura da estrutura. Também serão registradas as coordenadas geográficas, o horário e as condições climáticas. Os fatores de risco visíveis também serão registrados. Estudantes envolvidos no projeto terão oportunidade de estudar e aplicar conceitos de ecologia de populações, ecologia urbana e métodos de amostragem, além de biologia e ecologia de primatas.
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