Projeto de pesquisa, UFRN
Rastreamento do câncer do colo do útero em comunidades quilombolas: viabilidade da autocoleta e tipificação de HPV de alto risco
Descrição
Introdução: O câncer do colo do útero é a quarta neoplasia mais diagnosticada entre mulheres globalmente e apresenta elevada morbimortalidade, embora seja amplamente prevenível por vacinação contra HPV e rastreamento eficaz. No Brasil, mantém impacto significativo, com desigualdades sociais, raciais e regionais que elevam o risco em populações vulneráveis. Mulheres quilombolas, historicamente excluídas territorial e socialmente, enfrentam barreiras ao acesso ao cuidado em saúde e podem estar sub-representadas nas estratégias de rastreamento. Além disso, mulheres negras apresentam maior mortalidade por câncer do colo do útero, o que levanta hipóteses sobre diferenças na resposta imunológica e na persistência do HPV. A autocoleta cervicovaginal, com eficácia comparável à coleta clínica para detecção de DNA-HPV de alto risco, pode ampliar a cobertura do rastreamento, enquanto biomarcadores imunológicos como FOXP3 podem contribuir à compreensão da persistência viral em contexto de ancestralidade. Objetivo: Avaliar um modelo adaptado de rastreamento do câncer do colo uterino em mulheres quilombolas no Estado do Rio Grande do Norte, utilizando autocoleta para detecção de DNA-HPV e investigando a associação entre expressão de FOXP3, persistência viral e desfechos de incidência e mortalidade, considerando desigualdades étnico-raciais e ancestralidade. Metodologia: Estudo observacional transversal, comunitário e quantitativo, com 100 mulheres quilombolas (30–50 anos) residentes em Moita Verde (Parnamirim/RN) e Capoeiras (Macaíba/RN). Após mobilização comunitária e capacitação de Agentes Comunitários de Saúde, serão coletadas amostras por autocoleta cervicovaginal, encaminhadas para análise molecular de DNA-HPV de alto risco e, nas amostras positivas, mensuração de FOXP3. Serão avaliadas adesão, aceitabilidade e viabilidade operacional; prevalência e genotipagem do HPV; e expressão de FOXP3, com análise descritiva e exploratória integrada à ancestralidade. Principais contribuições: O estudo deve gerar evidências sobre viabilidade e efetividade da autocoleta para ampliar o rastreamento em populações quilombolas, identificar prevalência de HPV de alto risco e possíveis associações entre FOXP3 e persistência viral. Os resultados podem subsidiar políticas públicas e práticas de saúde mais equitativas no SUS, contribuindo para redução de desigualdades e avanço rumo à eliminação do câncer do colo uterino.
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