Projeto de pesquisa, UFRN
Procedimentos médicos para potencial evocado auditivo com sedação.
Descrição
O Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE ou BERA - Brainstem Evoked Response Audiometry) constitui o método padrão-ouro para avaliação objetiva da função auditiva em populações pediátricas não cooperativas, permitindo a identificação precoce de perdas auditivas e a intervenção terapêutica oportuna. A realização adequada do exame requer que o paciente permaneça em sono profundo ou sedado, minimizando artefatos miogênicos que comprometem a qualidade dos registros eletrofisiológicos. Entretanto, a utilização de agentes sedativos levanta questões fundamentais sobre possíveis alterações nos parâmetros neurofisiológicos do PEATE e suas implicações na acurácia diagnóstica. A literatura internacional demonstra que diferentes agentes sedativos podem produzir efeitos variáveis sobre as características das ondas do PEATE. Estudos recentes evidenciam que, enquanto 69 pacientes de três estudos não demonstraram diferenças significativas nas formas de onda entre diferentes anestésicos, quatro estudos com 144 participantes relataram alterações significativas entre grupos farmacologicamente sedados e não anestesiados.[1] Particularmente preocupante é a evidência de que o sevoflurano produziu mais falsos positivos para perda auditiva, resultando em diagnósticos de perdas auditivas mais graves em comparação ao propofol, com implicações psicossociais e desenvolvimentais significativas ao longo da vida.[2] Os efeitos da sedação sobre os parâmetros do PEATE incluem prolongamento de latências absolutas e interpicos, alterações de amplitude das ondas, modificações na morfologia dos traçados e variações na precisão temporal das respostas neuronais. Anestésicos voláteis como isoflurano aumentam significativamente as latências dos picos III, IV e V em todas as concentrações estudadas, com efeito não linear que parece atingir platô após 1,5% de concentração expiratória final.[3] Sob anestesia geral, observam-se atrasos significativos nas latências da onda V e nos intervalos interpicos I-III, III-V e I-V em crianças, exigindo cautela na interpretação da função neural a partir de dados de PEATE registrados sob anestesia geral.[4] Adicionalmente, fatores como hipotermia, nível de arousal e características neurofisiológicas específicas de populações especiais (autistas, portadores de síndrome de Down) podem interagir com os efeitos farmacológicos, produzindo padrões complexos de alteração nos potenciais evocados.[5][6] Autistas sedados demonstraram latências prolongadas para componentes médios e tardios do PEATE, enquanto portadores de síndrome de Down sedados apresentaram latências absolutas e interpicos mais curtas para componentes precoces, sugerindo que o efeito da sedação pode variar conforme o substrato neurológico subjacente.[6] No contexto brasileiro, e particularmente no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), há escassez de dados sobre o impacto da sedação nos parâmetros neurofisiológicos do PEATE e suas implicações para a prática clínica otorrinolaringológica. A caracterização precisa dessas alterações é fundamental para estabelecer valores normativos ajustados para sedação, identificar agentes com menor impacto nos resultados audiológicos, reconhecer situações de risco para falsos positivos ou negativos e otimizar a interpretação diagnóstica dos exames realizados sob sedação. Este projeto de pesquisa propõe avaliar de forma prospectiva e sistemática o impacto de diferentes protocolos de sedação sobre os parâmetros neurofisiológicos do PEATE (latências absolutas das ondas I, III e V; intervalos interpicos I-III, III-V e I-V; amplitudes; morfologia das ondas; reprodutibilidade dos traçados), comparando os resultados obtidos sob sedação com valores normativos estabelecidos para sono natural, analisando a acurácia diagnóstica do PEATE sob sedação em relação a testes comportamentais subsequentes, identificando fatores preditores de alterações significativas nos parâmetros e avaliando a qualidade técnica dos registros.O impacto na formação de médicos e especialista junto ao estágio (internato) de medicina. Os resultados poderão subsidiar a elaboração de diretrizes institucionais para interpretação do PEATE sob sedação, contribuindo para a melhoria da acurácia diagnóstica, redução de falsos positivos e negativos, e aprimoramento da formação de médicos residentes em otorrinolaringologia e fonoaudiólogos.
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