Projeto de pesquisa, UFRN
Insegurança alimentar na Atenção Primária à Saúde: conexões com qualidade de vida, doenças crônicas e acesso a programas de Segurança Alimentar e Nutricional.
Descrição
A insegurança alimentar permanece sendo um dos principais determinantes das iniquidades em saúde no Brasil, e, particularmente, nas zonas urbanas, ela está presente na maioria dos territórios da Atenção Primária à Saúde (APS), onde se concentram populações expostas à pobreza, desigualdade e maior carga de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Em Natal, dados recentes da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) indicam que 13,5% dos domicílios avaliados apresentam risco de insegurança alimentar, percentual superior à média nacional. A coexistência entre insegurança alimentar, DCNT e condições socioeconômicas adversas compromete a qualidade de vida e a capacidade de autocuidado dos indivíduos, ao mesmo tempo em que desafia a efetividade das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). O objetivo desse projeto é analisar as associações entre insegurança alimentar, qualidade de vida, DCNT e o acesso a programas de SAN, em adultos e idosos atendidos em 10 unidades de saúde, distribuídos nos cinco distritos sanitários de Natal. Trata-se de estudo transversal, de abordagem qualiquantitativa, que utilizará entrevistas estruturadas a usuários (n=379) e entrevistas semiestruturadas com profissionais da APS. Serão utilizados um questionário padronizado, elaborado em plataforma digital (Epicollect5) e instrumentos validados, incluindo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), o instrumento WHOQOL-bref, de avaliação da qualidade de vida, e a Escala de Adesão ao Guia Alimentar para a população brasileira. Para a análise dos dados quantitativos, serão realizadas análises descritivas e utilizados testes estatísticos, e de regressão de Poisson para identificação de fatores associados, enquanto os dados qualitativos serão examinados por meio da análise da temática de conteúdo de Bardin. Espera-se identificar padrões de vulnerabilidade alimentar, impactos na qualidade de vida, barreiras de acesso a políticas/programas de SAN e potencialidades intersetoriais entre saúde e assistência social. Os resultados poderão subsidiar gestores e equipes da APS na formulação de estratégias de cuidado mais integradas, territorializadas e orientadas à redução das desigualdades em saúde e alimentação.
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