Projeto de pesquisa, UFRN
A natureza das mulheres: um problema também da filosofia medieval
Descrição
A natureza das mulheres sempre foi um tema para a filosofia, seja ela tratada na Geração dos Animais, de Aristóteles; na Suma Teológica, de Tomás de Aquino; na Cidade das Damas, de Christine de Pizan; nos Direitos das Mulheres, de Mary Wollstonecraft; em Da Educação, de Jean-Jacques Rousseau; ou em O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir. Tratar do corpo, do intelecto e das ações das mulheres constitui um problema filosófico de caráter ontológico, ético e epistemológico. Na Idade Média, a investigação acerca da natureza das mulheres é marcada por dois episódios centrais da tradição cristã: o da criação e o do pecado, os quais geram dois principais questionamentos: (1) a mulher, assim como o homem, foi criada à imagem e semelhança de Deus? (2) qual é o papel moral da mulher no pecado original? Na história da filosofia medieval, as respostas a essas questões, embora distintas, colaboram para a formulação de um paradigma físico e moral da mulher. Esse paradigma, construído no Medievo, atravessa o Renascimento e chega à Modernidade. A mulher fisicamente frágil, moralmente corrompida e pouco apta aos esforços do corpo e do intelecto insiste em permear nossa dita pós-modernidade, que ainda hoje trava uma luta política em favor das mulheres. Considerando esse contexto, este projeto pretende analisar o que alguns filósofos e filósofas medievais dizem sobre a natureza da mulher. Trataremos, sobretudo, de Agostinho de Hipona, Hildegarda de Bingen, Tomás de Aquino e Christine de Pizan, mobilizando obras como A Cidade de Deus e De Genesi ad litteram, no caso de Agostinho; escritos teológicos e científicos de Hildegarda; a Suma Teológica, de Tomás de Aquino; e A Cidade das Damas, de Christine de Pizan. Além disso, serão consideradas obras específicas como o Segredo das Mulheres, tradicionalmente atribuído a Pseudo-Alberto Magno que sendo uma obra de caráter médico do período, aborda o corpo feminino a partir de fenômenos como a menstruação, a concepção e a gestação, evidenciando assim como tais discursos contribuem para a construção de um paradigma sobre a natureza da mulher.
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