Projeto de pesquisa, UFRN
Design e decolonialidade: correspondências entre o Brasil e América Latina
Descrição
O projeto de pesquisa pretende registrar práticas decoloniais que têm lugar nas disciplinas de projeto dos cursos de Design do Brasil, Colômbia e Equador. Definidas como contra hegemônicas e emancipatórias, tais práticas são utilizadas por professores em sala de aula com o objetivo de criar outras formas de inteligibilidade, no tocante à produção de um conhecimento, que objetiva a emancipação social. Os dados obtidos fornecerão subsídios para propor recomendações para um ensino do design, por meio da indicação de princípios pedagógicos, metodológicos e epistemológicos a serem observados no contexto do ensino superior no campo do design brasileiro e latino-americano. Levando em consideração processos de ensino contextualizados, estruturados a partir das singularidades socioculturais de cada país. A pesquisa propõe, num primeiro momento, revisão da literatura sobre a ALADI (Associação Latino-americana de Designers) e sobre o ensino do design no Brasil e América Latina, nomeadamente, Colômbia e Equador, evidenciando os modelos metodológicos adotados em disciplinas de projeto, com intuito de levantar marcos curriculares e de analisar a transposição de modelos europeus nas abordagens, nos métodos e nas práticas. Na segunda parte desta investigação deve-se pesquisar o pensamento e as práticas pedagógicas decoloniais a partir de métodos e processos exploratório, generativo e avaliativo. A proposta é realizar pesquisa exploratória para identificar práticas decoloniais presentes no ensino de design da Colômbia e do Equador nas disciplinas de projeto e comparar com o ensino de design do Brasil já levantadas anteriormente. A partir daí, deve-se levantar, por meio de revisão de literatura, aspectos relacionados com o ensino de design no Brasil e América Latina com foco nas metodologias projetuais e marcos curriculares que determinem práticas contemporâneas, além do design e da pedagogia decolonial. Para finalizar a fase exploratória pretende-se recolher depoimentos de professores de design da Universidad Nacional de Colombia - UNAL (Colômbia) e Escola Superior Politécnica del Litoral - ESPOL (Equador). Na fase generativa, pretende-se oferecer para os discentes de design da UFRN um componente curricular optativo (Questões Insurgentes no Design), com o objetivo de discutir o design decolonial e práticas de projeto, além da realização de uma oficina para UFRN e para Universidad Nacional de Colombia. Tal oficina busca pontes epistemológicas entre a Pesquisa-Ação Participativa (PAP) de Orlando Fals Borda e o Design para a Autonomia de Arturo Escobar. A dinâmica é pedagogicamente fundamentada na Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e ativada pela metodologia do Teatro do Oprimido de Augusto Boal, permitindo aos participantes reconhecer "situações-limite" no ensino e na prática do design e transformá-las em atos de autonomia. A partir desta experiência, acredita-se possível traçar propostas de requisitos, sob uma perspectiva decolonial, para o ensino de design, sobretudo as disciplinas das áreas de Projeto. Em seguida, comparar às práticas decoloniais presentes no ensino do design nos Cursos de Design do Brasil (UFRN, UFPE, UFMA, UEMG, USP, UERJ), com as práticas encontradas na UNAL e ESPOL. Por fim, na fase avaliativa, propõe-se a avaliação dos discentes que participaram da disciplina optativa Questões Insurgentes no Design, da oficina proposta na UFRN e na UNAL, e da análise dos depoimentos orais realizado com os professores da UNAL (Colômbia) e ESPOL (Equador). Para finalmente, organizar as recomendações que oriente o ensino de design no Brasil e na América Latina, a partir de uma perspectiva decolonial. A pesquisa aqui proposta visa colaborar com o pensamento crítico e decolonial, aprofundando o diálogo entre design, pedagogia e decolonialidade, para a construção de práticas, conceitos e linguagem que possam apontar para modos de correspondência entre o ensino de design no Brasil e na América Latina.
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