Projeto de pesquisa, UFRN
O estado da arte e do conhecimento da Educação Midiática/Educomunicação no curso de Jornalismo da região Nordeste
Descrição
Este projeto de pesquisa tem como objetivo investigar as novas práticas sociais relacionadas ao combate à desinformação nos cursos de jornalismo da região Nordeste.Visto que a Educação Midiática é uma necessidade na formação do jornalista, a leitura crítica da mídia informativa, também conhecida como mídia tradicional, é uma forma de combater a desinformação, devido à proliferação de notícias falsas. Na contemporaneidade, algumas mudanças ocorridas no campo de atuação jornalístico, em decorrência do cenário tecnológico, estão ancoradas no processo de midiatização da sociedade (Hjarvard, 2014 e 2012) e no processo de convergência midiática (Jenkins, 2009), que proporciona novas formas de fazer e consumir informação. Diante deste novo cenário, em 2016 surge a popularização do termo "desinformação" no contexto da eleição presidencial dos Estados Unidos, em que Trump fez campanha contra a imprensa americana e espalhou desinformação. A desinformação caracteriza a era da pós-verdade; o termo foi escolhido como a palavra do ano de 2016 pelos dicionários britânicos Oxford. Trata-se de um adjetivo que se refere a circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais (Ferrari, 2018, p.51). Sendo que as notícias falsas (que sempre existiram no universo do jornalismo) proliferam de forma muito mais rápida, com auxílio das novas tecnologias e da internet, as notícias falsas são, na verdade, uma variedade de desinformações que pode variar entre a correta utilização de dados manipulados, a utilização errada de dados verdadeiros, a incorreta utilização de dados falsos e outras combinações possíveis (Ferrari, 2018, p.44). O termo é datado do século XIX (1890) no jargão jornalístico e sempre existiu nas redações, mas a partir de 2016 tornou-se popular na sociedade contemporânea. A hipótese desta popularização vai além da mídia, porque no contexto midiático, as redes sociais digitais e outras formas de comunicação digital são consideradas como mídia, ou como propôs Ramonet (2012): "todos podem ser mídia", mas o ser humano e os algoritmos, que colocam as pessoas em bolhas dentro do contexto informativo, têm um papel preponderante neste fenômeno. Este estudo se propõe a investigar os cursos de Jornalismo da região Nordeste, a respeito da inclusão ou não de disciplinas sobre educação midiática e leitura crítica dos meios de comunicação. O estudo pretende também pesquisar, por meio de um questionário enviado às coordenações dos cursos de Jornalismo, A comunicação, de acordo com Buckingham (2007), é um processo que começa com práticas sociais, relacionamentos e conhecimentos, que tanto podem ser aprendidos como estimulados por meio de uma leitura crítica das mídias e de habilidades tanto para o consumo quanto para a produção. Nesse sentido, no atual estágio de midiatização (Hjarvard, 2012 e 2014) da sociedade, o estudante de comunicação tem a necessidade de passar por um processo de aprendizado, que vem sendo inserido na sociedade por meio de dois paradigmas que se embricam ou se complementam: a educomunicação e a educação midiática. Por um lado, Soares (2000) apresenta a importância da comunicação no processo educativo e alerta para os perigos que podem confundir o processo educomunicativo. A comunicação se torna componente essencial da educação e não um mero recorte instrumentalista e tecnicista da tecnologia da informação e da comunicação. Por outro lado, Martín e Tyner (2012) esclarecem que entender a educação midiática por uma perspectiva crítica permite aos educadores contemplar também os diferentes contextos midiáticos a partir de uma perspectiva histórica, cultural, social e econômica das formas de alfabetização midiática. Estas duas propostas se referem aos mesmos objetivos e necessidades e não se separam porque uma complementa a outra no contexto brasileiro, sendo que o termo Educação Midiática se desenvolveu no Rio de Janeiro e Educomunicação em São Paulo. Um ponto importante na trajetória dessa inter-relação entre Comunicação e Educação ganhou densidade própria, de acordo com Soares (1999, p. 19) e se afigura, como um campo de intervenção social específico. Essa afirmação está baseada na pesquisa realizada pelo Núcleo de Comunicação e Educação da USP em parceria com a UNIFACS. Outro achado importante para essa pesquisa é a identificação do estado da arte e do conhecimento de um campo do saber, que mostra indícios de sua existência, e que já pensa em si mesmo, produzindo uma meta-linguagem, elemento essencial para a sua identificação como objeto autônomo de conhecimento: o campo da inter-relação Comunicação/Educação (Soares, 1999, p. 10 grifos do autor). Para Soares (2018, p. 11), a educação midiática pode ser denominada como: a prática voltada à análise do impacto dos meios de comunicação na sociedade e à promoção do uso pedagógico dos recursos das tecnologias da comunicação e informação no cotidiano do ensino. O autor esclarece que as iniciativas estiveram presentes tanto no âmbito informal quanto no formal da educação. São Paulo e o Rio de Janeiro são dois exemplos paradigmáticos de apoios de políticas públicas. O projeto mídia-educação no Rio de Janeiro e educomunicação em São Paulo, ambos implantados pelas Secretarias Municipais de Educação. Como resultado, as duas experiências eliminaram definitivamente a rigidez e as resistências de duas estruturas de ensino, tendo como efeito a introdução do novo, representado pela presença do universo midiático no espaço escolar (Soares, 2018, p. 12). Estes exemplos abrem espaço para que o objeto empírico desta pesquisa possa contribuir com a perspectiva que busca, além da educação midiática e da educomunicação, ampliar o combate à desinformação junto aos estudantes de jornalismo. Outro ponto importante no contexto da educomunicação, de acordo com Almeida (2015 apud Soares, 2011, p. 49), são áreas de intervenção educomunicativa, que utilizam o termo intervenção no sentido da realização de atividades e da proposição de alternativas inovadoras, da mediação, da oferta de referências libertadoras, que usualmente por diferentes motivos não são vislumbradas pelos membros de uma comunidade. Sendo assim, a autora apresenta as intervenções socioculturais como formas de atuação educomunicativas a partir de alguns cenários, como exploração humana, conflitos, irregularidades, opressão, precário aproveitamento da capacidade dos indivíduos de construírem conhecimento e de atuarem como protagonistas de sua própria realidade, além da supressão dos direitos básicos, principalmente do direito à informação e à comunicação (Almeida, 2015, p.9).
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