Projeto de pesquisa, UFRN
Traumas que atravessam o tempo e gerações: história, análise teórica e implicações do conceito de trauma intergeracional
Descrição
Inicialmente, a palavra trauma era utilizada em contexto médico para designar uma lesão corporal causada por agente externo. No entanto, no final do século XIX e início do XX passou a se referir também a “feridas” de cunho psicológico, oriundas de uma variedade de experiências emocionalmente perturbadoras. O trauma, enquanto uma vivência que excede a capacidade de elaboração psíquica, raramente se encerra em quem o viveu. Ao longo das últimas décadas, a constatação de que seus efeitos se perpetuam no tempo e atravessam gerações tem mobilizado atenção crescente em diferentes campos do conhecimento, no âmbito das ciências humanas, sociais e da saúde, sendo conceitualizada sob o nome de trauma intergeracional. A presente pesquisa tem por objetivo descrever e analisar o desenvolvimento histórico desse conceito na psicologia internacional e investigar como tem se dado sua recepção e circulação no Brasil, discutindo suas implicações epistemológicas, éticas e políticas. Para isto, será empreendida uma revisão hermenêutica da literatura e uma análise conceitual histórica e crítica que rastreie as condições de emergência do termo e acompanhe os seus deslocamentos de sentido e suas consequências até os dias atuais. Espera-se fornecer uma contribuição ao rigor conceitual do campo, que possa subsidiar futuras pesquisas e implicações práticas no campo da saúde mental, ao proporcionar uma compreensão mais precisa acerca dos modos pelos quais o passado habita o sofrimento psicológico presente.
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