Projeto de pesquisa, UFRN
Cognição racista e figuratividade: metáfora e metonímia na representação da pessoa negra como macaco
Descrição
O presente estudo se insere em uma interface entre Linguística Textual e Linguística Cognitiva. Da Linguística Cognitiva, adotamos a abordagem sociossemiótica (Geeraertz, 2016) e sociogênica da cognição (Morato, 2017), sociocognitivista da linguagem (Koch; Cunha-Lima, 2004) e cognitivo-discursiva da metáfora (Cameron, 1999; 2010; Vereza, 2010). Da Linguística Textual, adotamos a teoria da referenciação (Koch; Marcuschi, 2002; Koch, 2004). Em estudo anterior, Parintins (2025b) identificou, em diferentes gêneros discursivos (postagens de rede social racistas e artigos de opinião e de divulgação científica antirracistas), diferentes mapeamentos metafóricos (Fauconnier, 1997; Vereza, 2020) da representação figurativa racista da pessoa negra como macaco. O autor sugeriu, naquele estudo, que a base figurativa da referida representação é a metáfora histórico-cultural NEGRO É MACACO. A partir daí, indagou se estão envolvidos, nessa representação, diferentes mapeamentos da mesma metáfora ou diferentes metáforas para essa mesma representação figurativa: de um lado, um mapeamento corpóreo-experiencial, no caso dos textos racistas, e, de outro, um mapeamento histórico-cultural, no caso dos textos antirracistas. Em decorrência dos limites e do escopo proposto pelo estudo, o pesquisador não sugeriu uma dessas respostas de forma estrita. No entanto, também não salientou o princípio mais ou menos explícito da Teoria da Metáfora Conceptual (Lakoff; Johnson, 2002 [1980]), que seus desdobramentos posteriores mantiveram: de que uma metáfora é identificada justamente pelo seu mapeamento específico. Nesse sentido, se o autor encontrou mais de um mapeamento figurativo para a representação do negro como macaco, cada mapeamento corresponde a um construto figurativo diferente. Em outras palavras, Parintins não estava falando da mesma metáfora (NEGRO É MACACO). Por meio do projeto de pesquisa que ora propomos, procuraremos demonstrar que, ao lado da metáfora NEGRO É MACACO, lidamos na verdade também com pelos menos duas metonímias diferentes, na representação do negro como macaco: uma racista (SER MACACO POR EVOLUIR DO MACACO) e outra antirracista (SER CHAMADO DE MACACO POR TER SIDO HISTORICAMENTE COMPARADO COM MACACO). Desse modo, o tipo de mapeamento identificado como metafórico e conhecido por fonte como raiz do alvo (Kovëcses, 2002; Parintins, 2025b) passa a ser entendido como englobando metonímias. Este estudo, para demonstrar essa ideia, atualiza a análise de Parintins (2025b) e a exemplifica por meio de artigos de opinião que explicam o insulto de macaco em reação à publicação da campanha publicitária virtual racista Somos Todos Macacos (2014). Os resultados esperados dizem respeito à ideia de que a representação figurativa do negro como macaco é, na verdade, uma encruzilhada conceitual: a associação entre pelos menos uma metáfora e duas metonímias interligáveis.
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