Projeto de pesquisa, UFRN
Centro de Neuroproteção Infantil
Descrição
A proposta do Centro de Neuroproteção Infantil (CNI) foi estabelecida para enfrentar a lacuna crítica de cuidados neurológicos especializados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTINs). Nosso objetivo central é impulsionar a inovação na detecção e diagnóstico precoce de acometimentos neurológicos em recém-nascidos, com ênfase particular em prematuros. Através do desenvolvimento e implementação de métodos e ferramentas de ponta, buscamos reduzir significativamente as taxas de mortalidade neonatal além de minimizar as sequelas neurológicas debilitantes resultantes de condições como asfixia perinatal, cardiopatias congênitas e erros inatos do metabolismo, que podem predispor à epilepsia e a outros agravos à função do sistema nervoso central. Prematuros são particularmente vulneráveis a morbidades decorrentes de lesões cerebrais. A complexidade do quadro clínico aumenta devido à atipicidade das manifestações dessas lesões nessa população, que se distanciam dos padrões clínicos (como manifestações motoras estereotipadas) observados em crianças mais velhas ou adultos. Métodos como a eletroencefalografia (EEG) são, portanto, essenciais na detecção de ocorrências. Tanto para sua execução quanto a sua interpretação, o EEG requer mão de obra especializada (como técnicos de EEG e neuropediatras). Neste contexto, há uma concentração de neuropediatras em grandes centros urbanos, enquanto áreas remotas e regiões menos desenvolvidas enfrentam escassez desses profissionais. Ainda que o EEG e os profissionais capacitados estejam disponíveis, o monitoramento neurológico em UTINs apresenta outros desafios significativos. Por exemplo, a necessidade de múltiplos eletrodos em contato direto com a pele sensível dos neonatos pode causar lesões cutâneas, dificultar o contato materno e sobrecarregar os profissionais de saúde. A situação é ainda mais crítica para recém-nascidos em estado grave, que demandam prioridade no monitoramento neurológico, mas já estão conectados a diversos dispositivos de suporte à vida e necessitam de manipulação constante. O CNI busca superar os desafios no cuidado neurológico neonatal por meio de soluções inovadoras, como: [1] Desenvolvimento de dispositivos de monitoramento contínuo, sem fios e em tempo real, para sinais elétricos cerebrais (EEG) e fluxo sanguíneo (NIRS), adaptáveis ao ambiente da UTIN. Essa tecnologia visa oferecer um monitoramento mais prático e menos invasivo, permitindo um acompanhamento constante do estado neurológico do recém-nascido. [2] Criação e aplicação de materiais que minimizem o estresse causado pelo contato com a pele, ajustando-se às características dos recém-nascidos e proporcionando registros de alta qualidade da atividade cerebral. A utilização de materiais biocompatíveis e confortáveis é crucial para reduzir o desconforto e as lesões na pele sensível dos neonatos. [3] Implementação de bancos de dados focados em neuropediatria, integrando sinais neurológicos a dados clínicos e laboratoriais. A criação de um banco de dados abrangente facilitará a pesquisa e o desenvolvimento de modelos de IA, além de otimizar o diagnóstico e o tratamento. [4] Aplicação desses dados no desenvolvimento de modelos de aprendizado de máquina para detecção em tempo real de padrões patológicos e envio de alertas aos profissionais de saúde, tanto local quanto remotamente. A utilização da IA permitirá a detecção precoce de problemas neurológicos, possibilitando intervenções mais rápidas e eficazes. [5] Estabelecer um núcleo permanente de conhecimento em neurologia neonatal, com o objetivo de fomentar a educação continuada e o crescimento profissional na área. A iniciativa busca elevar a qualidade do atendimento e otimizar os prognósticos de recém-nascidos que apresentam condições neurológicas.
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