Projeto de extensão, UNEMAT
Empreendedorismo Solidário e Salvaguarda do Patrimônio Cultural
Descrição
A presente proposta visa a criação de uma incubadora de empreendimentos sustentáveis e solidários, direcionada prioritariamente aos povos e comunidades tradicionais (PCTs) e à população afrodescendente residente em áreas periféricas do estado de Mato Grosso. A iniciativa fundamenta-se na oferta de formação profissional e em gestão, com o objetivo de promover a geração de renda, o fortalecimento sociocultural e a valorização dos saberes ancestrais desses grupos. Os povos e comunidades tradicionais são reconhecidos por suas formas próprias de organização social, pela relação intrínseca com o território e pelo uso sustentável dos recursos naturais, constituindo-se como importantes guardiões da biodiversidade e do patrimônio cultural brasileiro (BRASIL, 2007; DIEGUES, 2008). Também são marcados pelo isolamento social e baixo acesso às políticas públicas de bem-estar social. Em Mato Grosso, este segmento social é constituído por uma pluralidade de etnias indígenas, comunidades quilombolas, povos de terreiro, pescadores artesanais, ribeirinhos, ciganos, pantaneiros, entre outros grupos - são mais de 43 etnias indígenas e 72 comunidades quilombolas, formalmente reconhecidas. Portanto, essa diversidade manifesta-se na presença de múltiplos grupos sociais, detentores de práticas culturais e produtivas transmitidas intergeracionalmente (SEPLAN-MT, 2019; ISA, 2020). São considerados guardiões da natureza, uma vez que suas atividades produtivas são de baixo impacto ambiental. Tradicionalmente, se dedicam à caça, pesca e lavouras de subsistência (cana-de-açúcar, mandioca, banana, entre outras), as quais ainda preservam a sabedoria ancestral do cultivo natural, passada de geração para geração. Saberes ancestrais sobre a lida com a terra, aliados a outros saberes e peculiaridades tais como: o modo de vida, organização social, valores, contos e lendas, danças, culto ao sagrado, festas, dramatizações, rezas, entre outras manifestações, compõem um rico patrimônio cultural, cuja sobrevivência depende da transmissão intergeracional. Entretanto, esses saberes encontram-se ameaçados diante do crescente êxodo das populações mais jovens, motivado, sobretudo, pelas dificuldades de reprodução socioeconômica e pelo acesso limitado às políticas públicas (MARTINS, 2003; SOUZA, 2016). Ocorre que, diante destas dificuldades, especialmente, o acesso ao trabalho e renda, os mais jovens têm buscado melhores oportunidades em cidades próximas ou na capital. Nesse contexto, esta ação extensionista constitui-se enquanto proposta alternativa, na medida em que busca atuar como estratégia de enfrentamento a essas vulnerabilidades, por meio do estímulo ao empreendedorismo sustentável e solidário, alinhado aos princípios da economia solidária (SINGER, 2002; FRANÇA FILHO; LAVILLE, 2004). Adicionalmente, a proposta incorpora o conceito de afroempreendedorismo, reconhecendo a importância da valorização da cultura negra como elemento central na geração de renda e no fortalecimento identitário das comunidades afrodescendentes (SANTOS, 2002; CORAGGIO, 2011).Dessa forma, acrescenta-se ao público-alvo prioritário, jovens e mulheres afrodescendentes moradoras da periferias da cidade e pequenos produtores (rurais e urbanos). Por fim, pretende-se contribuir simultaneamente para o desenvolvimento econômico, a inclusão social e a salvaguarda do patrimônio cultural dessas populações.
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