Projeto de pesquisa, UNIFAP
Urban Analytics aplicadas à leitura do território urbano amazônico: cartografia, morfologia e relações entre cidade e natureza em Macapá, Santana e Oiapoque
Descrição
Este projeto investiga, em setores selecionados de Macapá, da Vila do Elesbão, em Santana, e de Oiapoque, como a integração entre evidências cartográfico-espaciais multitemporais e evidências histórico-morfológicas permite compreender as relações entre forma urbana, substrato natural e paisagem em contextos amazônicos marcados por áreas úmidas, ocupações ribeirinhas e condições fronteiriças. A lacuna que orienta a pesquisa reside na ainda insuficiente sistematização de procedimentos capazes de articular, de modo crítico e reprodutível, cartografia histórica, observação da Terra, dados censitários e leitura morfológica situada em territórios cujas formas urbanas escapam parcialmente às lógicas do lote cadastral, da quadra consolidada e da rede viária convencional. A pesquisa adota desenho misto, multifásico e comparativo, com predominância qualitativa, combinando revisão sistemática de escopo, estudo de casos múltiplos, análise cartográfico-espacial e interpretação documental, histórica e morfológica. O componente quantitativo utilizará séries do MapBiomas e dados dos Censos Demográficos de 2000, 2010 e 2022, incluindo variáveis populacionais, domiciliares e de infraestrutura urbana. As características urbanísticas do entorno dos domicílios serão comparadas nas edições em que foram diretamente levantadas, mediante harmonização conceitual e espacial e explicitação dos limites de equivalência entre os censos. Macapá constitui o caso principal; a Vila do Elesbão permite examinar a morfogênese ribeirinha e o habitar vernacular; Oiapoque amplia a reflexão para a interface entre orla fluvial, fronteira e infraestruturas regionais. As categorias de negação, coexistência, conciliação e autonomia, formuladas na tese de doutorado da coordenadora, serão retomadas como instrumentos interpretativos sujeitos a revisão. A morfometria computacional e a análise de redes permanecerão como aproximações exploratórias, condicionadas à qualidade dos dados e à capacitação da equipe. Espera-se produzir cartografias multitemporais, uma matriz de diferenciação morfogenética, um protocolo analítico documentado, banco geoespacial, artigos e materiais de apoio ao ensino e à pesquisa, em execução de doze meses.
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