Projeto de pesquisa, UNIFAP
Desenvolvimento de soluções digitais para o patrimônio histórico-cultural do Amapá: prospecção tecnológica, digitalização curada e prototipagem
Descrição
O patrimônio histórico-cultural do Amapá constitui um estoque de ativos de elevado valor educacional, científico e econômico, cuja diversidade se manifesta em três dimensões complementares: as expressões culturais vivas, mantidas por comunidades e grupos tradicionais; os acervos documentais, que registram a formação social e política do território; e os artefatos arqueológicos, testemunhos materiais da ocupação humana na região. Esse conjunto, entretanto, enfrenta um risco acelerado de deterioração. O clima quente e úmido da Amazônia favorece processos de degradação física e biológica — como o ataque de fungos e insetos e a decomposição de suportes em papel, madeira e materiais orgânicos —, comprometendo a integridade de bens frequentemente guardados em condições precárias de conservação. A escassez de recursos, a carência de infraestrutura adequada em muitas localidades e a baixa visibilidade em plataformas globais agravam esse quadro e restringem o aproveitamento do potencial educativo, turístico e econômico do patrimônio, que permanece subaproveitado nas cadeias globais da economia criativa. A preservação e, sobretudo, a democratização do acesso à memória exigem hoje novos instrumentos, capazes de conciliar o rigor da pesquisa histórica com o alcance das tecnologias contemporâneas. Nesse cenário, as Humanidades Digitais oferecem um referencial promissor. Trata-se de um campo que articula, de modo metodológico e instrumental, as tecnologias computacionais e as disciplinas humanísticas. De um lado, recursos como a digitalização em três dimensões, a realidade virtual, a inteligência artificial e a curadoria digital ampliam as possibilidades de registro, análise e difusão; de outro, os saberes consolidados da História, da Arqueologia, da Antropologia e da Museologia asseguram a interpretação crítica e o tratamento responsável das fontes. Dessa convergência resultam abordagens inovadoras para documentar, pesquisar, conservar e, principalmente, apresentar o patrimônio amapaense a um público global, superando as barreiras geográficas e materiais que hoje limitam seu acesso. No contexto amapaense, identifica-se uma demanda reprimida por serviços que integrem diferentes frentes de atuação. A primeira diz respeito à digitalização e à preservação de acervos em risco de deterioração, de modo a assegurar tanto a salvaguarda do bem físico quanto o acesso global à informação nele contida. A segunda envolve a elaboração de inventários turísticos e culturais inteligentes e georreferenciados, capazes de mapear o patrimônio disponível e de subsidiar, com dados consistentes, a formulação de políticas públicas. Soma-se a essas frentes a necessidade de uma roteirização patrimonial inovadora, apoiada em recursos como a realidade aumentada para criar experiências imersivas que aproximem visitantes e comunidades de sua própria história. Por fim, verifica-se a carência de material didático regional em formato digital e de qualidade, alinhado tanto às exigências legais quanto às expectativas de gerações cada vez mais familiarizadas com linguagens interativas. Diante dessa problemática, o projeto tem como objetivo investigar e desenvolver soluções tecnológicas estruturadas para converter esses bens em ativos digitais, educacionais e econômicos, promovendo simultaneamente a geração de propriedade intelectual. Trata-se de uma pesquisa aplicada, orientada à construção e à avaliação de três artefatos articulados entre si. O primeiro é um acervo digital curado, no qual as fontes são tratadas com reconhecimento óptico de caracteres (OCR), descritas por metadados padronizados e organizadas segundo uma arquitetura orientada à preservação de longo prazo, condição essencial para garantir a recuperação e a interoperabilidade futura dos dados. O segundo é um roteiro patrimonial inteligente, disponibilizado por meio de um webapp com suporte a geolocalização, realidade aumentada e QR Codes, que transforma a fruição do patrimônio em uma experiência interativa e contextualizada. O terceiro consiste em material didático regional interativo, capaz de levar o conhecimento produzido para dentro da sala de aula e de fortalecer o vínculo entre a comunidade e sua memória. As atividades serão conduzidas em articulação com o curso de História e o Laboratório Unifap Digital, arranjo que aproxima a formação acadêmica da prática de desenvolvimento tecnológico. A proposta adota uma metodologia integrada, que reúne as técnicas historiográficas — responsáveis pelo tratamento crítico das fontes — ao Design Thinking, à Aprendizagem Baseada em Projetos e a frameworks de gestão ágil, combinação que favorece a centralidade do usuário, o protagonismo discente e a entrega iterativa de resultados.
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