Projeto de pesquisa, UNIFEI
Qualidade 4.0: influência das tecnologias na avaliação da qualidade e gerenciamento de indicadores
Descrição
A crescente aceleração da transformação digital em processos de manufatura tem imposto novas exigências aos sistemas de gestão da qualidade. Nesse contexto, a Qualidade 4.0 emerge como uma abordagem integrativa ao incorporar tecnologias da Indústria 4.0 - Internet das Coisas (IoT), Big Data, inteligência artificial e computação em nuvem, por exemplo - aos princípios consolidados da Gestão da Qualidade Total (TQM – Total Quality Management), promovendo uma transição do controle reativo para a capacidade preditiva e preventiva (SONY; NAIR, 2022; MAGANGA; TAIFA, 2023). Nesta nova abordagem de qualidade, a disponibilidade de dados em tempo real deixa de ser um diferencial competitivo e passa a constituir condição estrutural para a tomada de decisão eficaz, sustentada na visibilidade contínua dos indicadores de desempenho (BRANDL et al., 2018; POPESCU et al., 2025). Na era da inspeção da qualidade, predominante no início do século XX, a qualidade era entendida como a ausência de defeitos detectados ao final do processo produtivo. A atividade de inspeção era essencialmente reativa e classificatória, sem qualquer mecanismo de retroalimentação voltado à melhoria do processo. O marco científico da segunda fase foi a proposição dos gráficos de controle por Walter Shewhart, na década de 1920, que permitiu a transição de uma política reativa para uma política proativa de qualidade. A partir daí, o Controle Estatístico do Processo (CEP) tornou-se o instrumento central de monitoramento da variabilidade. Juran (1951), Feigenbaum (1956) e Crosby (1961) aprofundaram esse arcabouço ao introduzir os conceitos de custos da qualidade, controle total da qualidade (TQC) e programas de zero-defeito, respectivamente (KOLESAR, 1993). Essa fase consolidou a dimensão técnica da qualidade, mas ainda circunscrita a departamentos especializados. O TQM, emergindo na segunda metade do século XX, representou uma ruptura ao propor que a qualidade não é responsabilidade exclusiva de um departamento, mas de toda a organização — desde a alta liderança até o operador do chão de fábrica. O TQM abrange princípios como foco no cliente, liderança, engajamento de pessoas, abordagem por processos, melhoria contínua, tomada de decisão baseada em evidências e gestão de relacionamento com partes interessadas — princípios que se alinham aos sete fundamentos da ISO 9000:2015. Contudo, apesar da solidez conceitual do TQM, alguns autores argumentam que a qualidade parece ter "parado no tempo", sem apresentação de novos modelos de qualidade nas últimas décadas — uma lacuna que a Indústria 4.0 veio preencher. É precisamente nesse vácuo que emerge a Qualidade 4.0, conceituada como a "busca pela excelência de desempenho em tempos de transformação digital potencialmente disruptiva". De forma complementar, a Qualidade 4.0 é muito mais do que tecnologia: é uma nova metodologia pela qual ferramentas digitais podem ser usadas para que a capacidade das organizações de entregar produtos de alta qualidade de forma consistente possa ser aprimorada. Sendo assim, este projeto de pesquisa combina revisão bibliográfica, estudo de caso em cenários de manufatura reais, prestação de serviços e em laboratórios acadêmicos, resultando em uma metodologia replicável para diferentes contextos reais. Assim, além de apoiar a efetiva gestão dos objetos de estudo, a pesquisa poderá contribuir para o avanço acadêmico e para a adoção prática da Qualidade 4.0, promovendo maior eficiência, flexibilidade e inteligência na tomada de decisão com foco em qualidade.
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