Projeto de pesquisa, UFPB
A INFLUÊNCIA DAS PERSPECTIVAS GERACIONAIS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM EXPERIENCIAL EM ESTUDANTES DE ADMINISTRAÇÃO DO CAMPUS IV DA UFPB
Descrição
A palavra geração é vista como polissêmica, na qual este trabalho adota o termo para se referir a um grupo de pessoas nascidas em determinada época em associação com o modo de trabalho e fomento do ensino em administração de cada época geracional. Não existe pensamento que se desenvolva à margem das condições históricas, culturais e sociais que conformam a vida coletiva. Portanto, todo conhecimento é, necessariamente, situado, implicando um posicionamento específico no mundo social (Mannheim, 1928). Ele discute que o conceito de geração pode ser abordado a partir de duas perspectivas distintas: a positivista e a histórico-romântica. A primeira compreende as gerações como dados biológicos e cronológicos, buscando quantificar e formalizar a experiência humana. Embora reconheça sua utilidade, considera essa abordagem limitada por reduzir o conceito de geração à noção de faixa etária, desconsiderando suas dimensões culturais e simbólicas. Em contraste, a perspectiva histórico-romântica propõe uma compreensão das gerações como formações sociais construídas por meio de experiências vivenciadas, tradições culturais e interpretações da realidade. Geração, nesse sentido, não é sinônimo de idade, mas de pertencimento histórico-cultural. Trata-se de um fenômeno social e simbólico que desaparece com os modos de ser, criar e viver compartilhados pelos sujeitos que dela fazem parte. Essa concepção dialoga com Debert (1998), ao enfatizar que uma geração se forma a partir da vivência de acontecimentos históricos relevantes, que definem trajetórias passadas e moldam percepções futuras. Borges e Magalhães (2011) complementam ao afirmar que essas experiências comuns originam um estado de consciência coletiva que permanece ao longo da vida dos sujeitos, influenciando a forma como percebem e respondem a novos contextos. Segundo Mannheim (1928), uma geração não constitui um grupo social concreto, mas uma formação articulada por experiências compartilhadas que não podem ser desfeitas. Pertencer a uma geração, assim como a uma classe social, implica compartilhar valores, visões de mundo e preferências que conformam modos de ser e perceber. A saber, esta pesquisa se fundamenta em uma simbiose dessas duas perspectivas, uma vez que não se pode desconsiderar os fatores históricos e socioculturais vivenciados ao mesmo tempo das influências de fatores biológicos e cronológicos dos indivíduos. Borges e Magalhães (2011) defendem que as experiências geracionais não ocorrem de forma isolada. Ao considerar apenas o fator etário, corre-se o risco de diluir elementos estruturantes das experiências, como raça, classe e gênero. Por isso, é interessante ampliar o entendimento de gerações para além da idade, mas também as nuances experienciadas nos diferentes ambientes, sobretudo, em uma perspectiva de ensino e aprendizagem. Assim, a aprendizagem experiencial se torna pertinente na articulação com as perspectivas geracionais, pois envolve a capacidade de significar as experiências vividas e permite compreender, de maneira mais assertiva, os estilos de aprendizagem. São diversos modelos propagados sobre os estilos, contudo, ainda hoje, o modelo de estilo mais difundido é o de Kolb, caracterizado por quatro estilos possíveis de serem identificados nas pessoas. Na perspectiva do ensino, o uso de estratégias ativas potencializa mais a diversidade dos estilos de aprendizagem dos alunos, melhorando o engajamento e interesse deles (Costa; Lima; Santiago, 2023). Nesse sentido, este estudo abarca as temáticas das perspectivas de geração e os aspectos conceituais que dizem respeito à aprendizagem experiencial para aplica-las no contexto acadêmico do curso de Administração da Universidade Federal da Paraíba/Campus IV. Devido à heterogeneidade cada vez mais frequente nos perfis das turmas, torna-se interessante estudar o quanto essas diferentes gerações convivem juntas a partir de suas experiências vividas durante seu processo formativo, percebendo como os estudantes se comprometem com sua formação a partir de influências características de sua geração. O projeto envolve levantar estudos acerca da temática geracional, especialmente, na articulação com a aprendizagem experiencial, sobretudo, no contexto do ensino em Administração. Também, é salutar o aprofundamento em torno de pesquisas sobre esse tipo de aprendizagem, abarcando o esquema consolidado por Kolb sobre os estilos de aprendizagem. A partir de uma perspectiva qualitativa, busca conhecer melhor como os discentes do curso já mencionado percebem suas vivências práticas em sua formação, isto é, com o processo de ensino e aprendizagem no curso, tentando verificar semelhanças e diferenças nessas experiências em função da geração. Interessante ver como atribuem significado à formação em Administração, comparando-os em seus estilos de aprendizagem. Torna-se necessária uma maior produção de pesquisas para aprofundar o processo de ensino e aprendizagem na formação em Administração a partir da consideração das perspectivas geracionais em como vivenciam e compreendem o valor dessa formação. (Pittman et al, 2021). Portanto, a relevância científica, do ponto de vista teórico, ocorre por meio da pesquisa auxiliar em um melhor entendimento acerca do tema dentro da área de ensino e aprendizagem de Administração, além da colaboração de provocar mais estudos acerca das gerações em articulação com a aprendizagem experiencial. E, na perspectiva prática, a proposta desta pesquisa pode contribuir com o curso em tomarem conhecimento do olhar de seus discentes em como se encontra a formação deles e de seus vínculos com as vivências práticas considerando as diferentes gerações existentes no curso a fim de oferecer uma formação mais adequada com a atuação profissional dos administradores, além de mais convergentes com a realidade deles.
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