Projeto de pesquisa, UFPB
Eficácia e Segurança do Complexo Protrombínico de Quatro Fatores Versus Plasma Fresco Congelado na Reversão de Coagulopatia por Anticoagulantes em Cirurgias de Emergência: Revisão Sistemática e Metanálise.
Descrição
Nas últimas décadas, a prática clínica tem acompanhado um aumento expressivo no uso de anticoagulantes orais, especialmente em condições como fibrilação atrial, tromboembolismo venoso e prevenção secundária de eventos trombóticos. Esse cenário, embora represente um avanço importante na redução de eventos isquêmicos, traz consigo um desafio significativo quando esses pacientes necessitam de intervenções cirúrgicas de emergência, nas quais o tempo para reversão da anticoagulação torna-se um fator crítico para o prognóstico (Holbrook et al., 2012; Tomaselli et al., 2020). A coagulopatia induzida por anticoagulantes, nesses contextos, não é apenas um dado laboratorial — ela se traduz, na prática, em maior risco de sangramento intraoperatório, dificuldade no controle hemostático e aumento da morbimortalidade. Em cenários cirúrgicos agudos, como trauma, abdome agudo hemorrágico ou complicações vasculares, a incapacidade de reverter rapidamente esse estado pode comprometer diretamente o desfecho do paciente (Spahn et al., 2019). Historicamente, o plasma fresco congelado (PFC) tem sido utilizado como principal estratégia de reversão, devido à sua disponibilidade e capacidade de fornecer múltiplos fatores de coagulação. No entanto, sua utilização está associada a limitações relevantes, incluindo tempo necessário para descongelamento, administração de grandes volumes e risco de complicações transfusionais, como sobrecarga volêmica e lesão pulmonar associada à transfusão (TRALI) (Green et al., 2018). Nesse contexto, o complexo protrombínico de quatro fatores (CCP4) surge como uma alternativa mais direcionada e farmacologicamente eficiente. Composto pelos fatores II, VII, IX e X, o CCP4 permite uma reposição rápida e concentrada, com menor volume e maior previsibilidade na correção do INR. Estudos clínicos têm demonstrado sua superioridade na reversão da anticoagulação associada aos antagonistas da vitamina K, especialmente em situações de urgência (Sarode et al., 2013; Frontera et al., 2016). Apesar dessas evidências, ainda persiste uma lacuna importante no que diz respeito à comparação direta entre PFC e CCP4 em cenários cirúrgicos de emergência, particularmente quando se consideram desfechos clínicos robustos, como controle de sangramento, necessidade transfusional e mortalidade. Diante disso, torna-se fundamental reunir e analisar criticamente as evidências disponíveis, buscando orientar a prática clínica de forma mais segura e baseada em dados consistentes
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