Projeto de pesquisa, UFPB
Rota Cultural Caminhos do Frio: análise das condições de acessibilidade para a pessoa idosa nos municípios participantes.
Descrição
Nos últimos anos, o estado da Paraíba vem se destacando no cenário turístico e demostrando seu potencial, não apenas nas cidades litorâneas mas, também, em outras regiões, como o Brejo paraibano cujas paisagens, o clima mais frio, a gastronomia e o patrimônio cultural das cidades, têm atraído visitantes. No caso específico do Brejo, a Rota Cultural Caminhos do Frio tem despertado a atenção dos visitantes que buscam regiões diferenciadas para vivenciarem experiências únicas, através das visitas a pontos turísticos, da degustação da gastronomia e do contato com a cultura local. Desta forma, a rota cumpre o papel de promover o Brejo paraibano, movimentando a economia da região durante o inverno, uma vez que, restaurantes, meios de hospedagem, engenhos e o comércio de forma geral são beneficiados por iniciativa. Entre os diversos segmentos etários que vêm buscando essas atividades, os idosos, ou seja, aqueles definidos do Brasil por terem 60 anos ou mais, por isso denominados de 60+, têm procurado a Rota Cultural em busca de conhecer e vivenciar experiências culturais, além de desfrutar do clima ameno e diferenciado em termos do calor característico do nordeste brasileiro. Devido à sua expressiva participação demográfica e econômica, esse grupo constitui um público-alvo fundamental para o turismo dos municípios que compõem a Rota Caminhos do Frio, impulsionando a geração de emprego e renda locais. A representatividade da população idosa já é uma realidade demográfica no Brasil, acompanhando uma tendência mundial. Nas últimas décadas, observou-se uma transição etária, em grande parte dos países,caracterizada pela redução da natalidade e pelo aumento da expectativa de vida. Esse processo alterou a estrutura etária, mantendo a população de jovens quase estável e gerando um incremento significativo do contigente idoso, considerada pela ONU (2016) como aquele com 65 anos ou mais, e, no Brasil, definido pelos indivíduos a partir dos 60 anos (IBGE, 2023). Em termos globais, os idosos compõem hoje um segmento em crescimento, e, de acordo com a ONU (2024), é o grupo etário que vai crescer continuamente durante todo o século XXI, devendo alcançar 2 bilhões de pessoas em 2048. No Brasil, o fenômeno é análogo: em 2021, o país contabilizava aproximadamente 32,9 milhões de pessoas com 60 anos e mais, o que representava cerca de 15,6% da população total. O Censo destaca ainda que, entre as pessoas com 65 anos e mais houve um crescimento de 57,4% em 12 anos, atingindo cerca de 22,2 milhões (IBGE, 2023). A terceira idade, caracterizada pelo avanço do processo de envelhecimento, é geralmente reconhecida como uma fase da vida em que ocorrem alterações funcionais e psicológicas significativas. Este período é frequentemente associado a uma redução na capacidade do indivíduo em se adaptar ao ambiente e realizar tarefas do cotidiano (Moreira, Fortes e Haack, 2021). Porém, atualmente, esse quadro vem se transformando e esses indivíduos tornaram-se mais independentes e dispostos a experimentar novas vivências. Diante desse contexto, o setor turístico notou essa mudança e passou a focar suas estratégias na satisfação desse mercado (Machado, 2016). O turismo, compreendido como o deslocamento voluntário de pessoas para locais distintos de suas residências (Beni, 2001), possibilita o intercâmbio entre indivíduos de costumes e hábitos diferentes e isso vem atender às necessidades dos idosos que querem sair de suas rotinas e vivenciar novas experiências. A atividade turística, em suas múltiplas vertentes, pode assumir um papel relevante na promoção do bem-estar físico e mental dessa população, possibilitando e incentivando a sua interação social, reduzindo o isolamento e incentivando a troca de conhecimentos (França e Murta, 2014). Acrescenta-se que o turismo tem se mostrado uma atividade vital à saúde física e psíquica das pessoas, uma vez que pode proporcionar o descanso, a mudança do cotidiano e o conhecimento de novas culturas, entre outros benefícios fundamentais ao bem estar humano. É nessa perspectiva que as atividades turísticas relacionadas ao entretenimento, à contemplação ou ao descanso oportunizam que as pessoas com sessenta anos ou mais interajam de diversas maneiras, adequando suas necessidades e desejos, que podem incluir a prática de esportes, a recreação, a diversão, a degustação da gastronomia e a interação com a comunidade local. Para tanto, a parceria entre governo, trade e comunidade é imprescindível para que o desenvolvimento da atividade traga benefícios para todos os três setores. Por isso, a questão que se pretende responder é: quais são as condições de acessibilidade para o público da terceira idade nos municípios que integram a Rota Cultural Caminhos do Frio, no que se refere aos seus atrativos turísticos? As rotas constituem um importante instrumento para estimular a interação entre o turista e a população local. Segundo o Ministério do Turismo (Brasil, 2022), a rota é um itinerário caracterizado por elementos que lhe conferem identidade e deve ser estruturado com foco na gestão turística. Assim, esses percursos turísticos geralmente são planejados em torno de um tema que valorize o ambiente natural e cultural de uma região, integrando informações e atrativos turísticos para que os mesmos possam ser divulgados como produtos turísticos (Cisne, 2014) e contribuindo, assim, para o desenvolvimento da localidade. Dessa forma, as cidades que compõem a rota podem se constituir em importantes destinos turísticos para o público idoso, desde que ofereçam condições adequadas a esse segmento etário, pois, mesmo em plenas condições físicas, esses turistas necessitam de alguns cuidados e adaptações diferenciadas que permitam a acessibilidade aos atrativos turísticos, compreendendo a acessibilidade como: possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações de uso público ou privado, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida (ABNT, 2020). Diante do exposto, o presente projeto tem como objetivo geral analisar as condições de acessibilidade nos atrativos turísticos dos municípios que compõem a Rota Cultural Caminhos do Frio no estado da Paraíba, de forma a verificar se atendem às necessidades do público da terceira idade. Para a consecução do objetivo geral, têm-se como objetivos específicos: catalogar os atrativos turísticos dos municípios selecionados para o estudo: Alagoa Grande; Alagoa Nova; Borborema; Matinhas; Pilões; Remígio; Serraria e Solânea; elaborar uma ficha informativa dessas cidades com seus respectivos atrativos turísticos; elaborar e aplicar o instrumento de pesquisa denominado checklist para averiguação da acessibilidade para o público da terceira nas localidades que fazem parte da pesquisa; elaborar um relatório comparativo das condições de acessibilidade dos municípios; realizar registros fotográficos das condições de acessibilidade, organizar e publicar um guia sobre a acessibilidade dos locais analisados e, propor recomendações, se necessárias. Ressalta-se que, embora os municípios de Areia e Bananeiras integrem a rota e possuam uma grande relevância, não farão parte do escopo deste estudo por terem sido objeto de pesquisa em um projeto anterior, realizado em 2025. A Norma NBR 9050 de 2020 procura proporcionar a utilização de maneira autônoma, independente e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos, tendo em vista que, para serem considerados acessíveis todos os espaços, edificações, mobiliários e equipamentos que vierem a ser projetados, construídos, montados ou implantados, bem como reformados ou ampliados, atendam ao disposto nesta norma (ABNT, 2020). É evidente que o mercado turístico tem direcionado sua atenção ao público 60+, uma vez constatado que as pessoas idosas gostam de viajar e de aproveitar o tempo livre advinda da aposentadoria e, buscam, cada vez, mais vivenciar novas descobertas. Com o crescimento progressivo desse segmento no Brasil, se começa a perceber uma maior necessidade de acessibilidade no turismo, demandando cidades mais bem preparadas e transportes públicos e privados adaptados. Além da NBR 9050, o Manual do MTur com Dicas para Atender Bem Turistas Idosos (MTur, 2023), reforça que a acessibilidade é um direito da pessoa idosa, devendo ser incorporada em qualquer destino ou empreendimento turístico por gerar impactos sociais positivos e fomentar o desenvolvimento inclusivo. Partindo do entendimento de que a acessibilidade viabiliza a participação plena de pessoas com deficiência ou com mobilidade nas atividades turísticas, é fundamental que os gestores públicos e privados se conscientizem sobre a necessidade de adequar as localidades. Há que se considerar que os turistas idosos possam ser portadores de incapacidades físicas e, por isso, a existência de instalações, infraestruturas e serviços com condições de acessibilidade, de forma a alcançar um turismo sustentável e inclusivo, é primordial (Lopes, 2018). Acessibilidade deve ser um tema central de toda política de turismo, pois é ao mesmo tempo um direito humano imperativo e uma oportunidade de negócios excepcional (ONU, 2020). Assim, ressalta-se a relevância da gestão e do planejamento da acessibilidade para os idosos nos municípios selecionados para o estudo, uma vez que, seus atrativos abarcam a gastronomia regiona, feiras de artesanato, trilhas ecológicas, engenhos, eventos musicais e vivências históricas (Brejo Paraibano, sd).
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