Projeto de pesquisa, UFPB
"Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe": mapeamento de projetos antirracistas no contexto da formação universitária em dança
Descrição
O Projeto de Pesquisa "Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe" é uma ação investigativa vinculada à área de Artes e a subárea do campo dos Estudos em Dança. O tema da pesquisa, em questão, encontra-se relacionado com a identificação e o mapeamento das estratégias de enfrentamento ao racismo desenvolvidas no contexto da formação universitária em dança. O problema central do projeto de pesquisa situa-se, portanto, nas questões: "quais são os efeitos das referências coreográficas eurocêntricas ou norte-cêntricas na formação dos profissionais das artes da cena e quais estratégias têm sido elaboradas para o fortalecimento de propostas de ensino antirracistas no contexto das universidades de dança do nordeste brasileiro?". Partimos do pressuposto de que os efeitos da colonização na produção das subjetividades, na elaboração do conhecimento e na definição dos perfis profissionais, apontam para um grave problema no ensino da dança nos cursos superiores: um problema de cunho racista. Os currículos relacionados com a estruturação dos projetos pedagógicos desses cursos privilegiam referências de dança historicamente associadas a uma perspectiva dos centros de discussão de base eurocêntrica e nortecêntrica, ou seja, hegemônicas. São currículos, portanto, impregnados de colonialismo. Nosso objetivo é fomentar discussões sobre o racismo no contexto das Artes e valorizar as ações de combate à opressão racial implementadas no âmbito das universidades públicas federais do nordeste brasileiro. Por esse motivo, buscamos refletir sobre os componentes históricos que produzem as referências hegemônicas no ensino da dança e discutir a institucionalização do racismo no contexto universitário. A imagem da madame que "não gosta que ninguém sambe" é, portanto, utilizada para nos levar a pensar sobre os conflitos estabelecidos em uma situação de exploração étnico-racial e sobre o desprestígio de saberes coreográficos de origem africana no contexto acadêmico. Nesse projeto, a expressão do samba que é interditado revela interações entre as danças de ascendência africana e a opressão racial e se torna elemento chave para refletirmos o quão os processos educacionais em dança, vigentes em nossa sociedade, promovem a manutenção de lógicas culturais excludentes e encontram-se vinculados às políticas de morte dos grupos minorizados etnicamente. Para desenvolvermos a investigação em questão, elaboramos interações conceituais com Fanon (2008), Hooks (2017; 2019), Kilomba (2019), Nascimento (2016), Oliveira (2020;2021), Oliveira & Laurentino (2020), Veiga (2019), dentre outros pensadores e pensadoras que constroem reflexões sobre as relações étnico-raciais.
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