Projeto de pesquisa, UFPB
O Movimento Negro Educador e a Formação Médica: currículo, epistemicídio e educação antirracista no Ensino Superior em Medicina da UFPB
Descrição
O projeto de pesquisa intitulado O Movimento Negro Educador e a Formação Médica: currículo, epistemicídio e educação antirracista no Ensino Superior em Medicina da UFPB pretende investigar como a formação em Medicina da UFPB tem incorporado, ou deixado de incorporar, debates sobre raça, racismo, saúde da população negra e educação antirracista. Essa análise dialoga com a compreensão de Movimento Negro Educador proposta por Nilma Lino Gomes (2017), segundo a qual, as lutas negras produzem conhecimentos capazes de questionar ausências, hierarquias e silenciamentos nos espaços universitários. A pesquisa ancora-se na Lei nº 10.639/03 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais (Brasil, 2003; Brasil, 2004) e como seus princípios atravessam a formação de profissionais, a produção científica e a definição de saberes considerados legítimos e válidos no Ensino Superior. Diante do exposto, alguns questionamentos mobilizam nossa análise: como os documentos curriculares da formação médica da UFPB incorporam ou silenciam categorias como raça, racismo, saúde da população negra, epistemicídio, racismo institucional e educação antirracista? Que lugar os conhecimentos produzidos pelo Movimento Negro Educador ocupam nos documentos curriculares da Medicina? Em que medida o currículo médico reconhece o racismo como dimensão estruturante do cuidado em saúde e da própria produção do conhecimento? Para fundamentar o debate teórico-crítico desta investigação, os estudos desenvolvidos por Nilma Lino Gomes (2017), Sueli Carneiro (2005), Kabengele Munanga (2005), Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (2007), Cida Bento (2022), Lélia Gonzalez (2020) e bell hooks (2013) contribuem para pensar uma formação mais crítica, ética e comprometida com o enfrentamento das desigualdades raciais. O estudo será qualitativo, exploratório e documental, com revisão bibliográfica (Minayo, 2001) e análise de documentos normativos da Educação e da Saúde, além de PPC, ementas, planos de ensino e bibliografias do curso de Medicina da UFPB, além da elaboração de um mapeamento sistemático a partir do levantamento bibliográfico (Fiorentini et. al., 2016). Busca-se compreender de que modo esses materiais tratam categorias como epistemicídio, racismo institucional e saúde da população negra, contribuindo para o debate sobre formação superior e enfrentamento do racismo no ensino em saúde. Espera-se, ao final, produzir uma leitura crítica sobre o modo como a formação médica tem incorporado ou silenciado saberes relacionados à educação antirracista e à saúde da população negra. Mais do que apontar lacunas, a pesquisa pretende contribuir para o debate sobre currículo médico, formação superior e enfrentamento do racismo nas instituições de ensino em saúde.
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