Projeto de pesquisa, UFPB
Rede Semiárido de Melhoramento Genético Participativo: Desenvolvimento de Cultivares Estratégicas para Conservação, Resiliência Produtiva e Segurança Alimentar
Descrição
Atualmente, a Caatinga tem cerca de 89% de sua área degradada, enfrenta limitações hídricas severas, uso inadequado do solo, baixa tecnificação e ausência de políticas estruturantes. A região encontra-se em um processo acelerado de degradação ambiental e queda de produtividade agrícola, exigindo soluções capazes de fortalecer a segurança alimentar e a resiliência dos sistemas produtivos. Torna-se estratégico desenvolver tecnologias e cultivares adaptadas às condições locais, capazes de conciliar produção agrícola, conservação ambiental e geração de renda. O objetivo é desenvolver cultivares estratégicas com ideótipos adaptados às condições do Semiárido, reunindo elevada produtividade, resistência, valor nutricional e biofortificação. Para isso, serão utilizados recursos genéticos locais e variedades crioulas como base para programas de melhoramento genético participativo. O projeto contemplará inicialmente três culturas estratégicas para o Semiárido brasileiro: feijão-caupi (Vigna unguiculata), maracujazeiro-amarelo (Passiflora edulis) e tomateiro (Solanum lycopersicum L.). Essas espécies apresentam elevada importância socioeconômica para a agricultura familiar, geração de renda, segurança alimentar e nutricional da região. Entretanto, os registros disponíveis no Registro Nacional de Cultivares (RNC) e no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) evidenciam uma reduzida participação de instituições nordestinas no desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas do Semiárido, especialmente da Paraíba, revelando uma importante lacuna tecnológica para uma região que demanda materiais mais resilientes, produtivos e eficientes no uso dos recursos naturais. Para o feijão-caupi, serão avançadas populações F2–F5 provenientes de 30 híbridos, com seleção para produtividade, coloração e qualidade dos grãos, seguida de ensaios VCU e DHE visando registro e proteção. Para o maracujazeiro, serão avaliados, uma linhagem elite em DHE para proteção e 20 híbridos de cruzamentos dialélicos para estimar heterose e identificar combinações superiores para ambientes irrigados do Cariri. Para o tomateiro serão avançadas populações S2–S5 provenientes de populações naturais, com seleção para resistência à broca, produtividade, formato, firmeza e qualidade dos frutos, seguida de ensaios VCU e DHE visando registro e proteção. As atividades serão desenvolvidas na estação experimental da universidade e em propriedades rurais, com participação direta dos agricultores nas avaliações e validação dos materiais. Serão treinados alunos de graduação e de pós-graduação em técnicas de melhoramento, análises genéticas e sustentabilidade, com estímulo à participação em congressos científicos, aumento da produção de artigos científicos e formação de mestres e doutores. Os resultados esperados incluem o lançamento de cultivares biofortificadas e adaptadas ao Semiárido, manejo, fortalecimento da agricultura, formação de recursos humanos e contribuição direta para os os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, especialmente aqueles relacionados à erradicação da pobreza, segurança alimentar, inovação e ação climática. Trata-se de uma intervenção estratégica para promover resiliência produtiva e sustentabilidade na Caatinga.
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