Projeto de pesquisa, UFPB
Territórios de cuidado e reprodução social da vida: uma etnografia das experiências de pessoas negras na Atenção Primária à Saúde em João Pessoa – PB
Descrição
Práticas de cuidado produzidas nos territórios escapam às concepções hegemônicas do cuidado presentes nos serviços de saúde e envolvem relações sociais, saberes locais e estratégias coletivas de sustentação da vida. Na perspectiva da reprodução social da vida, o cuidado integra os processos cotidianos por meio dos quais indivíduos e coletividades produzem, mantêm e renovam suas condições materiais, afetivas, sociais e ambientais de existência. No Brasil, essas práticas assumem especial relevância entre populações historicamente marginalizadas, especialmente pessoas negras, cujas experiências de cuidado são atravessadas por desigualdades sociais e raciais. No âmbito da Atenção Primária à Saúde, entretanto, práticas comunitárias e territorializadas de cuidado e que tensionam a racionalidade científica moderna, permanecem pouco investigadas em suas articulações com os processos de reprodução social da vida. Estudos no campo da Saúde Coletiva e das Ciências Sociais e Humanas em Saúde têm destacado a centralidade do território, das redes comunitárias e dos saberes contra-hegemônicos localizados na produção da saúde, realçando a necessidade de compreender o cuidado para além dos limites institucionais dos serviços. Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivo analisar como pessoas negras produzem práticas territorializadas de cuidado na Atenção Primária à Saúde, no contexto dos processos de reprodução social da vida. Parte-se do argumento de que o cuidado se constitui em redes territorializadas de relações, práticas e saberes que participam da sustentação da existência e da produção cotidiana da saúde. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, social, com referencial teórico-metodológico etnográfico a ser desenvolvido no município de João Pessoa-PB, em articulação com a Unidade Básica de Saúde Quatro Estações, localizada no bairro de Mangabeira IV. As pessoas interlocutoras serão pessoas negras (pretas e pardas), maiores de 18 anos, vinculadas à UBS Quatro Estações. A produção dos dados ocorrerá por meio de observação participante, entrevistas semiestruturadas, diários de campo, análise documental e revisão crítica da literatura. A análise será realizada de forma articulada ao trabalho etnográfico, com apoio do software IRaMuTeQ, contribuindo para a identificação de padrões discursivos e categorias analíticas relacionadas às práticas de cuidado investigadas. Será empregada a triangulação metodológica como forma de confiabilidade dos dados. A investigação seguirá todos os ritmos éticos, garantindo o anonimato das pessoas interlocutoras e será submetida ao Comitê de Ética em Pesquisas da Universidade.
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