Projeto de pesquisa, UFPB
Uso da solução de bicarbonatode sódio na prevenção da mucosite oral em crianças e adolescentes com câncer
Descrição
O câncer infantil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade (INCA, 2022). Porém, com o crescente número de sobreviventes de câncer infantil, conforme a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE, 2019), há uma alta incidência dos efeitos colaterais tardios, podendo ocorrer tempos depois do término do tratamento oncológico. Eles podem se desenvolver meses ou anos depois da quimio ou radioterapia, por isso é importante manter a rotina médica e odontológica em dia. O câncer infantojuvenil (entre 0 – 19 anos) apresenta características próprias quanto à histopatologia e ao comportamento clínico, sendo o diagnóstico um grande desafio por causa dos sinais e sintomas serem bastante inespecíficos. Como apresenta rápido desenvolvimento e agressividade, muitos pacientes já chegam ao serviço especializado de forma tardia para o tratamento, diminuindo, dessa forma, as chances de cura (PAIVA, 2018; SANTOS et. al., 2022). No Brasil, mesmo com a melhora do tratamento oferecido no setor público, ainda não houve uma redução significativa da mortalidade como nos países desenvolvidos, sendo a região Nordeste a que teve o maior número de casos novos de câncer (MOREIRA, 2021; SILVA et. al., 2022). O próprio tratamento do câncer leva a efeitos adversos na cavidade bucal, dentre essas complicações, a mucosite oral (MO) destaca-se por sua frequência e severidade, especialmente em contextos pediátricos. Caracteriza-se como um processo inflamatório da mucosa bucal, frequentemente associado à quimioterapia, que pode evoluir com dor, úlceras, sangramento e infecções secundárias (PIRES et al., 2020). Nos quadros mais intensos, classificados como mucosite oral grave (MOG), há necessidade de intervenções específicas, como analgesia sistêmica e suporte nutricional, além de possíveis alterações no cronograma terapêutico (DAMASCENA et al., 2020). Os principais métodos de prevenção da mucosite oral com melhor sustentação científica são aqueles recomendados pelas diretrizes da Multinational Association of Supportive Care in Cancer e da International Society of Oral Oncology incluem cuidados básicos de saúde bucal, fotobiomodulação (laser de baixa potência), crioterapia, palifermina, já o bicarbonato de sódio necessita de protocolos mais estruturados (ELAD et al, 2020). Diante disso, esse trabalho tem como objetivo buscar mais evidências e estabelecer um protocolo com solução de bicarbonato de sódio na prevenção da mucosite oral em crianças e adolescentes submetidas a tratamento quimioterápico. Essa pesquisa trata-se de um estudo observacional, analítico, do tipo longitudinal e com abordagem quantitativa em um hospital referência para o tratamento de câncer no município de João Pessoa, Paraíba. Os dados serão analisados por meio de medidas de tendência central e de dispersão e por meio de estatística descritiva e bivariada (teste Qui-Quadrado, p<0,05). Para detectar diferenças estatisticamente significativas será adotado um valor de alpha=0,05 e intervalo de confiança (IC) de 95%, utilizando-se o programa estatístico estatístico gratuito Jamovi v2.3.28.0. A presente pesquisa será desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Odontopediatria e Clínica Integrada (GPOCI) e espera-se que com os resultados obtidos ocorra uma melhora na sobrevida de crianças com câncer e sirva de subsídio para o desenvolvimento de futuras pesquisas relacionadas a oncologia pediátrica e até mesmo políticas públicas de saúde para o combate do diagnóstico tardio. Ao final do programa, pretende-se responder as seguintes perguntas da pesquisa: Quais os principais fatores estão relacionados ao menor surgimento da mucosite oral em crianças e adolescentes submetidas a tratamento quimioterápico? Quais sugestões de estudos na área? REFERÊNCIAS RESUMO ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia). Efeitos colaterais tardios: o pós câncer. 2019. Disponível em: https://revista.abrale.org.br/efeitos-colaterais-tardios-o-pos-cancer/ Acesso em: 03 maio 2022. DAMASCENA LCL, LUCENA NNN, RIBEIRO ILA, PEREIRA TL, LIMA-FILHO LMA, VALENÇA AMG. Severe oral mucositis in pediatric cancer patients: survival analysis and predictive factors. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(4):1235. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijerph17041235 ELAD S, CHENG KKF, LALLA RV, YAROM N, HONG C, LOGAN RM, et al. MASCC/ISOO Clinical practice guidelines for the management of mucositis secondary to cancer therapy. Cancer. 2020;126(19):4423-4431. DOI: 10.1002/cncr.33100 INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022. MOREIRA, M. S. C. Distribuição do câncer infantojuvenil e fatores associados ao tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento: análise a partir dos registros hospitalares de câncer no brasil, 2010- 2016. 2021. 80 f. Trabalho de dissertação (Mestrado) – Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2021. PAIVA, M. P. F. Estudo do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento de crianças com câncer em um centro de referência da Paraíba. 2018. 70 f. Trabalho de dissertação (Mestrado) – Centro de Ciências Médicas, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2018. PIRES HF, BEZERRA PMM, SILVA VB, RIBEIRO ILA, SERPA EBM, SOUSA SA, VALENÇA AMG. Occurrence and severity of oral mucositis in Brazilian pediatric cancer patients. Pesqui Bras Odontopediatria Clín Integr. 2020;20:e0050. Disponível em: https://doi.org/10.1590/pboci.2020.027. SANTOS, D. K. C., et al. Análise do tratamento precoce do câncer infantil no Brasil. Rev. Bras. Cancerol., 68, n. 1, p. e171637, 2022. SILVA, V. B., et al. Fatores associados ao tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento do câncer infantojuvenil. Saud Pesq., v. 15, n. 3, p. e10894, 2022.
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