Projeto de pesquisa, UFPB
Avaliação de aplicativo progressivo (PWA) para inquéritos epidemiológicos de cárie dentária e defeitos de desenvolvimento do esmalte (DDE)
Descrição
INTRODUÇÃO: No último inquérito populacional do Brasil (SB Brasil 2020) realizado em 2023, pela primeira vez, todo o registro de dados foi digital, utilizando um programa de entrada de dados. A transformação digital dos sistemas de saúde tem impulsionado o desenvolvimento de ferramentas móveis para coleta, monitoramento e análise de dados epidemiológicos. No contexto da saúde bucal, os aplicativos móveis (mobile health – mHealth) representam uma alternativa promissora aos métodos tradicionais de vigilância, permitindo coleta de dados em tempo real, monitoramento longitudinal, integração de informações georreferenciadas e ampliação da cobertura populacional.O Epi-Digi (Patente requerida UFPB) é uma aplicação web (web app) desenvolvida para modernizar a coleta de dados epidemiológicos em pesquisas de campo na area de saude bucal, substituindo integralmente o uso de fichas em papel e planilhas manuais por um sistema digital que funciona com ou sem acesso à internet. Desenvolvido no âmbito do Projeto Colgate — Estudo Epidemiológico da Universidade Federal da Paraiba (UFPB) vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciencias Odontológicas, o aplicativo permite o registro completo de dados de identificação dos participantes, informações socioeconômicas, hábitos comportamentais, exames clínicos odontológicos e questionarios de qualidade de vida, atendendo tanto a estudos transversais quanto longitudinais. Em adição, foi criada a possibilidade de incluir imagens de superfícies vestibulares como forma de registro e classificação de defeitos de esmalte por machine learning (Carneiro, 2021). A ferramenta opera como um aplicativo progressivo (PWA), o que significa que pode ser instalada diretamente no celular ou tablet do pesquisador, funcionando normalmente mesmo em locais remotos sem cobertura de rede. Quando a internet e restabelecida, os dados coletados sao enviados automaticamente para um banco de dados seguro na nuvem, eliminando a necessidade de digitação posterior e os riscos de perda ou extravio de informações. Além de ser uma alternativa sustentável, uma vez que não faz uso de registros em papel, a coleta de dados por aplicativos apresenta diversas vantagens. Entre os benefícios diretos, destacam-se a validação dos campos obrigatórios no momento do preenchimento, evitando fichas incompletas; a eliminação do papel, reduzindo peso e risco de extravios; a criptografia dos dados sensíveis dos participantes, garantindo privacidade e segurança; a possibilidade de busca instantânea por qualquer ficha ja cadastrada; e a economia de tempo da equipe, que nao precisa mais redigitar centenas de formulários ao final da coleta. OBJETIVO: Objetivo geral da proposta é avaliar a usabilidade, eficiência operacional e qualidade dos dados produzidos pelo aplicativo Epi-Digi na coleta de informações epidemiológicas em saúde bucal, verificando seu potencial como ferramenta para inquéritos populacionais e estudos longitudinais. O projeto é uma oportunidade de comparar dados coletados em papel e avaliar ainda a aceitação da coleta digital por parte de examinadores. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo metodológico de validação tecnológica, contemplando avaliação de usabilidade, equivalência entre métodos de coleta (digital e papel), confiabilidade dos registros e análise da eficiência operacional do aplicativo Epi-Digi (UFPB) para uso em inquéritos epidemiológicos em saúde bucal. O projeto está aninhado ao Projeto Colgate-Paraíba como estudo guarda-chuva maior “PREVALÊNCIA DE CÁRIE DENTÁRIA E ACESSIBILIDADE AO DENTIFRÍCIO FLUORETADO EM ZONAS RURAIS E URBANAS DE MUNICÍPIOS COM ALTO RISCO SOCIAL NA PARAÍBA” (CAAE: 77237124.6.0000.5188). Todos os participantes já assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do Termo de Assentimento no baseline do estudo em 2016. A coleta de dados por aplicativos já foi registrada como emenda (CAAE: 77962317.5.0000.5188). Coleta de imagens e coleta de dados dos examinadores foi tambem aprovada pela emenda (CAAE: 30874120.8.0000.5188). Vinte e oito cidades ativas do projeto Colgate Paraíba (estudo de coorte que está sendo finalizado em 2027) serão convidadas a contribuir com a coleta de dados em dispositivos móveis. O aplicativo está pronto e escrito em TypeScript, uma linguagem que acrescenta verificações automáticas de consistência ao código, reduzindo a ocorrência de falhas. As imagens capturadas (fotos dos participantes e das arcadas dentarias) serão armazenadas em um repositório privado de arquivos, com acesso controlado por URLs temporárias que expiram após sete dias, impedindo o vazamento de fotos por compartilhamento indevido de links. Esse recurso garante a privacidade e o respeito aos princípios da bioética e a segurança de dados. O instrumento de coleta do Epi-Digi está organizado em oito etapas progressivas, cada uma correspondendo a um domínio de informações do participante. Essa organização em etapas orienta o pesquisador passo a passo, reduzindo a chance de omissão de campos e tornando o preenchimento mais intuitivo. Resumidamente, o estudo será desenvolvido com o seguinte roteiro: Fase 1: Planejamento e preparação: reuniões com gestores e grupos de examinadores e anotadores do projeto Colgate sobre a forma de coleta de dados com dispositivos moveis. Fase 2: Estudo Piloto: Para garantir grau de validação e testar possíveis falhas, um estudo piloto com 6 examinadores previamente calibrados em modelo in lux (Kappa superior a 0,60) e 12 participantes será realizado. Os exames clínicos ocorrerão sob luz natural indireta para CPOD (sonda OMS + espelho bucal e espátula de madeira) em uma escola de zona urbana da cidade de Itapororoca-PB. Será adotado um modelo cruzado permitindo que os examinadores possam coletar dados em ambas as técnicas (dispositivos moveis e em papel). Domínios a serem explorados: - Clareza de vocabulário: Os termos, comandos e menus estão escritos de forma compreensível e natural? - Facilidade de navegação: Os comandos exigem muitos cliques ou o fluxo de trabalho é intuitivo? - Compreensão dos campos: Os campos de preenchimento e botões de anotação transmitem exatamente o que se espera que eles façam? Em adição o questionario conta com perguntas abertas sobre usabilidade e espaço para sugestões e melhorias. O questionario de usabilidade (com seis perguntas) explorará questões sobre layout das janelas, sequenciamento, visualização, funcionalidades, operacionalidade e limitações do EpiDigi. Os participantes serão questionados (questionário simples, perguntas abertas) sobre a forma de coleta com dispositivo móvel ou papel e possivel constrangimento para fotos e outros aspectos para coleta de dados em dispositivos moveis. Fase 3: Coleta de dados: Antes dos exames clínicos os participantes responderão ao questionario do projeto Colgate: (1) Dados de identificação; (2) informações socioeconômicas (composição familiar, grau de escolaridade e faixa de renda mensal); (3 e 4) hábitos de higiene: a higiene bucal do participante, incluindo frequência de escovação, quantidade de dentifrício (creme dental) utilizada e uma seção especifica sobre hábitos de uso de creme dental antes, durante e após a pandemia de COVID-19, cujas respostas sao registradas em uma escala de intensidade de seis pontos; (5) A quinta etapa investiga hábitos comportamentais, como consumo de álcool e tabaco, pratica religiosa e escalas de religiosidade e espiritualidade; (6) A sexta etapa e um ponto de decisão importante: solicita a permissão do participante para a realização do exame clinico. Caso o participante nao autorize, o formulário será finalizado nesse ponto, respeitando integralmente sua vontade e evitando o registro de dados sem consentimento. Se houver autorização, o fluxo prossegue para a sétima etapa, que apresenta o odontograma interativo. Fase 4: Testes do App: (A) Estudo de Usabilidade será para mensurar basicamente o tempo de preenchimento e erros de operação. (B) Validação de Critério (do tipo concorrente de superioridade) será realizado para comparar o desempenho do instrumento com um padrão de referência (ficha em papel). (C) Estudo de Equivalência: O objetivo desse teste será avaliar se a versão digital produz resultados equivalentes à versão tradicional. Procedimentos de avaliação do backend do sistema será fundamental para verificar se os registros realizados no aplicativo são equivalentes aos obtidos em fichas impressas. Para descrever a prevalência de cárie dentária será calculado o CPOD e seus componentes de modo digital e manual (fichas em papel). Os dados de manchas brancas ativas e defeitos de desenvolvimento do esmalte (DDE) serão tabulados apenas de forma dicotomizada com sim (1) e não (zero) para simplificar as análises fotográficas e de registro. Os estudos de validação de face (estudo piloto) e de usabilidade, critério e equivalência serão trabalhados com estatística descritiva e valores em medias (desvio padrão) e frequências quando apropriado. Modelos de inferência estatística serão trabalhados no teste de equivalência (Bland Altman) e nas comparações numéricas (Epi-Digi x papel) geralmente com testes não paramétricos (Wilcoxon e Mann Whitney U) devido ao número de observações com p< 0,05. O Universo da amostra é formado por 56 examinadores (2 examinadores por cidade) um valor bem acima do valor mínimo de cálculo amostral que é de 24 participantes. O valor mínimo esperado para a avaliação quantitativa da usabilidade (SUS – System Usability Scale) é de 30 participantes assumindo a formula de n=(EZ×DP)^2, sendo: Z = 1,96 (95% IC); Desvio-Padrão esperado da SUS de DP =12,5; e erro desejado de aproximadamente 5. Com esse cálculo a amostra mínima seria de 24 participantes, e como sugestão acrescenta-se 20% atingindo 30 participantes. Dessa forma, nosso N amostral para examinadores será de 30 participantes. Isso tambem valerá para participantes usuários, totalizando 30 indivíduos.
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