Projeto de pesquisa, UFPB
ANÁLISE DO PERFIL IMUNOLÓGICO ASSOCIADO COM O DESFECHO CLÍNICO DA DOR PERSISTENTE EM PACIENTES COM ESPONDILOARTRITE AXIAL RADIOGRÁFICA
Descrição
A espondiloartrite axial radiográfica (r-axSpA), anteriormente denominada espondilite anquilosante, é uma doença inflamatória crônica pertencente ao grupo das espondiloartrites, caracterizada pelo acometimento predominante do esqueleto axial, especialmente das articulações sacroilíacas e da coluna vertebral. Trata-se de uma condição associada a dor lombar inflamatória, rigidez, limitação progressiva da mobilidade e, em estágios avançados, dano estrutural decorrente da combinação entre erosão óssea, neoformação óssea patológica e anquilose. Embora o acometimento axial seja predominante, manifestações periféricas e extra-articulares, como artrite periférica, entesite, uveíte, doença inflamatória intestinal e psoríase, podem estar presentes, reforçando o caráter sistêmico da doença e a complexidade dos mecanismos imunológicos envolvidos em sua fisiopatologia. A patogênese da r-axSpA resulta da interação entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Entre os fatores genéticos, destaca-se a associação com o antígeno leucocitário humano HLA-B27, que pode contribuir para a ativação inadequada da resposta imune e para a perpetuação do processo inflamatório. A atividade da doença na espondiloartrite axial radiográfica pode ser avaliada por meio do Bath Ankylosing Spondylitis Disease Activity Index (BASDAI), um instrumento amplamente utilizado na prática clínica e em pesquisas. Além da avaliação da atividade da doença, a mensuração da intensidade da dor constitui um componente fundamental no acompanhamento clínico da espondiloartrite axial radiográfica. Nesse contexto, a Escala Visual Analógica (EVA) é amplamente utilizada por sua simplicidade, reprodutibilidade e sensibilidade para detectar variações na percepção dolorosa. Apesar dos avanços no entendimento da doença e do desenvolvimento de terapias, a persistência da dor permanece um desafio clínico relevante. Marcadores laboratoriais tradicionais, como proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação, são frequentemente utilizados no acompanhamento da atividade inflamatória. Entretanto, esses marcadores apresentam sensibilidade limitada e inespecificidade, e podem permanecer dentro da normalidade mesmo em pacientes com inflamação ativa, o que dificulta a identificação de mecanismos residuais de inflamação ou de vias imunológicas relacionadas à persistência da dor. Nesse contexto, citocinas e quimiocinas vêm sendo investigadas como potenciais biomarcadores de atividade inflamatória, progressão da doença, resposta terapêutica e persistência dos sintomas. Estudos recentes demonstraram alterações nos níveis séricos desses diferentes marcadores em pacientes com r-axSpA. Contudo, os achados disponíveis ainda são heterogêneos, e não há um perfil imunológico claramente definido capaz de diferenciar pacientes com manifestações clínicas distintas, especialmente aqueles com dor persistente. Embora a maior parte das investigações sobre biomarcadores imunológicos na r-axSpA utilize amostras de sangue periférico, a saliva tem sido estudada como matriz biológica alternativa, não invasiva e potencialmente útil para avaliação de mediadores inflamatórios. A identificação de perfis séricos e salivares distintos entre pacientes com r-axSpA e indivíduos saudáveis sugere que essas amostras podem refletir alterações imunológicas relacionadas à doença. Entretanto, ainda são necessários estudos adicionais para esclarecer a associação entre mediadores séricos e salivares, atividade da doença, dor persistente e resposta terapêutica. Ademais, as subpopulações linfocitárias, como linfócitos B, T CD4+, T CD8+ e Natural Killer (NK) também parecem exercer papel crucial na fisiopatologia da r-axSpA, podendo-se observar alterações com infiltrado inflamatório e apresentando funções reguladoras reduzidas, que implicam na auto-reatividade como um mecanismo adicional de dano e dor. Diante disso, o presente projeto visa avaliar o perfil imunológico em pacientes com espondiloartrite axial radiográfica, atendidos no ambulatório de Reumatologia Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba, por meio da dosagem sérica e salivar de citocinas e quimiocinas, bem como da caracterização fenotípica das subpopulações linfocitárias. Espera-se que os resultados gerados neste trabalho possam contribuir para elucidação dos mecanismos fisiopatológicos da espondiloartrite axial radiográfica; desenvolvimento de biomarcadores de diagnóstico e terapêuticos e no manejo clínico dos pacientes.
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