Projeto de pesquisa, UFPB
Modalidades de atividade física no lazer em adultos e idosos brasileiros no período pós-pandemia: tendências temporais, diferenças regionais e associações com estado de saúde: análise do VIGITEL 2021, 2023 e 2024
Descrição
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) representam um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo a inatividade física um dos principais fatores de risco modificáveis associados à sua incidência e progressão. No contexto da Educação Física, a identificação das modalidades esportivas e de exercício praticadas pela população no domínio do lazer constitui informação estratégica para a formulação de políticas públicas de promoção da saúde, estruturação de programas de atividade física e direcionamento de intervenções profissionais qualificadas. A pandemia de COVID-19 impactou de forma expressiva os padrões de comportamento em saúde da população brasileira, incluindo a prática de atividade física no lazer. A suspensão de equipamentos esportivos, academias, parques e espaços de convivência coletiva, aliada às medidas de distanciamento social, configurou um cenário sem precedentes de restrição das oportunidades de prática. Os efeitos desse período sobre a retomada das modalidades habituais e sobre o surgimento de novos padrões de prática ainda são pouco compreendidos no contexto nacional, especialmente quando analisados segundo faixa etária, sexo e região geográfica. O presente projeto propõe uma análise longitudinal descritiva e analítica dos dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), nos anos de 2021, 2023 e 2024, com foco nas modalidades de atividade física praticadas no lazer por adultos e idosos residentes nas 27 capitais brasileiras. O recorte temporal adotado corresponde ao período pós-pandemia, permitindo identificar tendências de retomada, consolidação ou transformação dos padrões de prática ao longo de três momentos distintos do período de recuperação social e sanitária do país. A investigação contemplará análises estratificadas por faixa etária, isto é, adultos (18 a 59 anos) e idosos (60 anos ou mais), por sexo e por macrorregião do país, examinando as prevalências das principais modalidades praticadas, bem como sua associação com indicadores de estado nutricional (índice de massa corporal), presença de comorbidades, tais como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, depressão e hábitos comportamentais como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e tempo de tela. O projeto será desenvolvido em três planos de trabalho vinculados, cada um conduzido por um bolsista de iniciação científica sob orientação direta deste proponente, garantindo abrangência analítica e formação qualificada de recursos humanos na área de Educação Física e Epidemiologia da Atividade Física. Os resultados esperados incluem a caracterização atualizada do perfil de prática de atividade física no lazer da população brasileira adulta e idosa no pós-pandemia, com potencial de impacto direto sobre políticas públicas de saúde, programas de promoção da atividade física e a agenda científica da Educação Física no Brasil.
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