Projeto de pesquisa, UFPB
METABÓLITOS BIOATIVOS DE BACTÉRIAS LÁTICAS COMO AGENTES DE BIOCONTROLE DE Colletotrichum spp. in vitro
Descrição
Frutas são altamente suscetíveis à contaminação por fungos fitopatogênicos devido à sua composição rica em água e nutrientes, o que favorece o desenvolvimento microbiano. Essa condição é agravada pelas alterações fisiológicas e bioquímicas decorrentes do amadurecimento, como a degradação da parede celular e a conversão de ácidos orgânicos em açúcares, que reduzem as barreiras naturais da fruta, favorecendo a penetração e a colonização por fungos causadores de podridões pós-colheita. Dentre as doenças fúngicas, a antracnose, causada por fungos do gênero Colletotrichum, é uma das principais responsáveis por perdas na produção e no armazenamento de frutas, comprometendo a qualidade, vida útil e valor comercial, além de gerar prejuízos econômicos e impactos ambientais associados ao desperdício de recursos e insumos produtivos. O controle desse fitopatógeno é realizado principalmente por fungicidas químicos. Entretanto, esses produtos apresentam riscos à saúde humana e impactos ambientais, podendo também favorecer o desenvolvimento de resistência em fungos fitopatogênicos, o que reduz sua eficácia ao longo do tempo. Esse cenário tem impulsionado o desenvolvimento de estratégias de biocontrole mais seguras e sustentáveis. As bactérias láticas (BAL) têm sido amplamente estudadas como agentes de biocontrole devido ao seu potencial antifúngico, relacionado tanto à produção de compostos antimicrobianos quanto à capacidade de competição por espaço e nutrientes. No entanto, a eficácia do biocontrole baseado em células viáveis pode ser influenciada por variações intrínsecas (como pH e atividade de água) e extrínsecas (como condições ambientais e de armazenamento). Além disso, os metabólitos responsáveis por essa atividade ainda são insuficientemente avaliados quanto à sua atividade antifúngica. Nesse contexto, o projeto objetiva avaliar o potencial antifúngico de sobrenadantes livres de células (SLC) de BAL contra Colletotrichum spp. in vitro. Também será avaliada a estabilidade de sua atividade frente a variações térmicas, de pH e a modificações enzimáticas, bem como sob diferentes condições de armazenamento. Espera-se que os resultados demonstrem o potencial antifúngico dos SLC de BAL, com perspectiva de aplicação em tecnologias sustentáveis voltadas ao biocontrole de Colletotrichum spp. e à redução de perdas pós-colheita em frutas, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes e sustentáveis na agroindústria regional.
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