Projeto de pesquisa, UFPB
MECANISMOS VOCAIS E NEUROFISIOLÓGICOS DA COMUNICAÇÃO ORAL EM CONDIÇÕES DE ALTA DEMANDA: BIOMARCADORES DE ESFORÇO, FADIGA E DESEMPENHO
Descrição
Introdução: A fadiga vocal é um sintoma frequente entre indivíduos expostos a elevadas demandas de comunicação oral, especialmente profissionais da voz. Trata-se de um fenômeno multifatorial caracterizado pelo aumento do esforço vocal, redução da resistência ao uso da voz e alterações no desempenho comunicativo após períodos prolongados de atividade vocal. Apesar de seu impacto debilitante, a FV ainda é um conceito de difícil compreensão e descrição na ciência vocal. Embora os mecanismos fisiológicos periféricos envolvidos na fadiga vocal tenham sido amplamente investigados, ainda existem lacunas importantes sobre a participação de mecanismos centrais relacionados à carga cognitiva e à demanda neural necessária para sustentar a comunicação em condições desafiadoras. A compreensão desses fatores é fundamental para o desenvolvimento de estratégias mais precisas de avaliação, monitoramento e prevenção da fadiga vocal. Objetivo: Investigar os mecanismos vocais, fisiológicos, neurofisiológicos e cognitivos associados à fadiga vocal induzida por uma tarefa de carga vocal prolongada, buscando identificar potenciais biomarcadores da resposta à demanda comunicativa. Pretende-se ainda verificar a contribuição relativa de fatores periféricos e centrais para o desenvolvimento da fadiga vocal e compreender a evolução desse fenômeno ao longo do tempo. Método: Será realizado um estudo experimental longitudinal com indivíduos vocalmente saudáveis submetidos a uma tarefa de carga vocal (TCV) de 90 minutos de duração, realizada sob ruído competitivo. Serão coletadas medidas de autoavaliação vocal, análise acústica da voz, desempenho respiratório, atividade eletromiográfica dos músculos da respiração e acessórios da laringe, temperatura corporal local, concentração sanguínea de lactato, atividade hemodinâmica cortical por espectroscopia funcional no infravermelho próximo (fNIRS), pupilometria, além de indicadores relacionados à personalidade, regulação emocional e processamento cognitivo. Para melhor monitoramento dos dados, as análises serão realizadas na condição basal e ao final de cada etapa da TCV (30, 60 e 90 minutos). Os dados serão analisados por meio de modelos estatísticos longitudinais e multivariados, visando identificar alterações ao longo da tarefa e associações entre os diferentes desfechos avaliados. Resultados esperados: Espera-se que a tarefa de carga vocal provoque alterações progressivas nos indicadores de fadiga e esforço vocal, acompanhadas por modificações em parâmetros fisiológicos e neurofisiológicos relacionados à resposta à demanda comunicativa. Espera-se ainda identificar associações entre atividade cortical, desempenho vocal e percepção de fadiga, contribuindo para uma compreensão mais abrangente dos mecanismos centrais e periféricos envolvidos nesse fenômeno. Os resultados poderão favorecer a identificação de biomarcadores da fadiga vocal, subsidiar modelos multidimensionais de monitoramento da resistência vocal e fornecer evidências para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e manejo da fadiga em indivíduos expostos a elevadas demandas vocais.
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