Projeto de pesquisa, UFPB
Análise da interação entre prematuridade, práticas de aleitamento e estado emocional materno no pós-parto
Descrição
O nascimento prematuro caracteriza o não cumprimento do desenvolvimento gestacional pleno e essa condição se configura como um sério problema de saúde pública, dada sua influência na morbidade neonatal e a necessidade de cuidados especializados imediatos e contínuos. O Brasil situa-se entre os dez países com as taxas mais elevadas, os quais são responsáveis por 60% dos nascimentos prematuros do mundo. As mortes evitáveis relacionadas ao recém-nascido podem ser reduzidas por meio de uma adequada atenção à mulher na gestação, ao parto e ao recém-nascido e, neste contexto, o aleitamento materno se configura como uma intervenção indispensável, com funções nutricionais, imunológicas e de apoio ao desenvolvimento neurocomportamental do recém-nascido. Adicionalmente, compreender aspectos da saúde mental dessas mães com bebês prematuros pode contribuir para redução de transtornos psicológicos maternos, do tempo de internação hospitalar do RN e de falhas no vínculo afetivo entre mãe e filho. Diante disto, este estudo tem por objetivo construir um perfil multidimensional de bebês prematuros, relacionando dados clínicos, práticas de amamentação e saúde emocional das mães, para compreender como esses fatores interagem e influenciam os desfechos neonatais. Trata-se do segundo ano de execução dessa pesquisa (CAAE 90624125.0.0000.5183) que se caracteriza como sendo um estudo epidemiológico transversal e longitudinal para analisar o perfil clínico, sociodemográfico e obstétrico de recém-nascidos prematuros internados na UTIN, UCIN, UCINCA e Alojamento conjunto do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), buscando associações entre dados clínicos dos bebês e fatores emocionais e de amamentação das mães. A amostra incluirá 131 duplas mãe-bebê, selecionadas segundo critérios clínicos e éticos, com coleta de dados feita por entrevistas e análise de prontuários. As mães serão acompanhadas durante a internação e até seis meses após a alta hospitalar para avaliar a autoeficácia na amamentação (usando a escala BSES-SF) e sintomas de ansiedade (Inventário de Ansiedade de Greenberger & Padesky). A análise combinará dados quantitativos e qualitativos, utilizando testes estatísticos para identificar associações entre variáveis clínicas, emocionais e de amamentação. O estudo visa contribuir para melhorar o cuidado integral e humanizado de mães e prematuros em contexto de vulnerabilidade, respeitando rigorosamente os aspectos éticos e emocionais envolvidos.
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