Projeto de pesquisa, UFPB
AVALIAÇÃO METABOLÔMICA DA FERMENTAÇÃO DO COGUMELO COMESTÍVEL Auricularia cornea PELA MICROBIOTA INTESTINAL ALTERADA PELO CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS
Descrição
A crescente participação dos alimentos ultraprocessados (AUP) na alimentação da população tem sido associada a alterações na microbiota intestinal, redução da diversidade microbiana e aumento do risco de obesidade, inflamação crônica e doenças metabólicas. Em contrapartida, alimentos oriundos da biodiversidade, como cogumelos comestíveis, apresentam compostos bioativos capazes de modular a microbiota, produzir metabólitos de interesse e promover benefícios à saúde. Entre esses recursos destaca-se Auricularia cornea, cogumelo recentemente domesticado a partir de uma linhagem silvestre da Mata Atlântica brasileira, que apresenta elevado potencial nutricional e funcional devido ao seu conteúdo de polissacarídeos, compostos fenólicos e outros compostos bioativos. Estudos prévios demonstram que componentes fúngicos podem ser fermentados pela microbiota colônica, favorecendo a produção de metabólitos benéficos, especialmente ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e propionato), e liberando compostos fenólicos, reconhecidos por sua atuação na homeostase intestinal e metabólica. Entretanto, ainda são escassas as evidências sobre os efeitos de A. cornea na atividade metabólica da microbiota intestinal sob diferentes padrões alimentares, particularmente em indivíduos com elevado consumo de AUP. Fundamentado nos conceitos de disbiose intestinal e modulação dietética da microbiota descritos por Mar Rodríguez et al. (2015), nos impactos dos AUP sobre o ecossistema intestinal apresentados por Brichacek et al. (2024) e no potencial funcional dos cogumelos relatado por Araújo-Rodrigues et al. (2024) e Kumari et al. (2024), este estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: a fermentação colônica de A. cornea promove alterações favoráveis no perfil metabolômico da microbiota intestinal de indivíduos com diferentes níveis de consumo de AUP? Espera-se que a fermentação colônica in vitro de A. cornea revele a produção de metabólitos bioativos, como ácidos graxos de cadeia curta, caracterizando a modulação seletiva de grupos bacterianos associados à homeostase intestinal e à saúde metabólica, mesmo diante de uma microbiota intestinal previamente afetada pelo alto consumo de AUP. Dessa forma, o objetivo geral desse projeto é avaliar o perfil metabolômico da fermentação do cogumelo comestível A. cornea pela microbiota intestinal alterada pelo consumo de AUP, visando gerar evidências sobre seu potencial funcional e sua contribuição para a valorização da biodiversidade alimentar brasileira.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.