Projeto de pesquisa, UFPB
AFRO-BRASILIDADE E O CÂNCER ORAL
Descrição
Este estudo se propõe a investigar a profunda conexão entre a afro-brasilidade, as consequências do racismo e o câncer oral, analisando como o legado histórico da escravidão e o racismo estrutural moldam a saúde da população negra brasileira. É sabido que fatores como o menor acesso aos cuidados em saúde, diagnóstico tardio, maior exposição ao sol no trabalho e hábitos de consumo de tabaco contribuem para desfechos clínicos mais graves nesse grupo populacional. Também está estabelecido que pessoas negras apresentam menor taxa de sobrevida em cinco anos, maior número de diagnósticos em estados avançados e maior taxa de mortalidade para o câncer de boca. No entanto, não há marcadores biológicos suficientes que justifiquem a maior susceptibilidade de pessoas negras a desenvolverem o câncer oral. Dessa forma, este estudo pretende, por meio de dados nacionais do Instituto Nacional do Câncer (INCA) abrangendo quase quatro décadas, identificar disparidades raciais no tocante ao manejo do câncer oral no Brasil. Com este projeto, busca-se compreender as influências culturais e comportamentais, bem como as consequências do racismo estrutural, que tornam essa população mais vulnerável ao desenvolvimento e manutenção por longos períodos de neoplasias malignas na boca, bem como ao óbito ante esta malignidade, na tentativa de fornecer evidências científicas para a criação de políticas públicas mais eficazes e equitativas no Brasil.
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