Projeto de pesquisa, UFPB
VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL E A CAPACIDADE ADAPTATIVA DOS MUNICÍPIOS DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO – ANO 2
Descrição
Relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) indicam mudanças climáticas, como aumento da temperatura, evapotranspiração e alterações nas precipitações, que aceleram a desertificação em áreas vulneráveis, especialmente na região Semiárida do Brasil. Estudos mostram que o semiárido está cada vez mais exposto a ameaças climáticas, com projeções de intensificação da aridez e maior recorrência de estiagens prolongadas. Diante desse cenário, no segundo ano do projeto em tela, verifica-se a necessidade de maior aprofundamento na identificação e análise dos componentes da vulnerabilidade, quais sejam: ameaça, exposição, sensibilidade e capacidade adaptativa. A compreensão integrada desses componentes permite evidenciar desigualdades territoriais relacionadas às condições socioeconômicas, à disponibilidade de infraestrutura, ao acesso a serviços essenciais e à capacidade de resposta das populações frente aos eventos climáticos extremos. Tal perspectiva reforça a necessidade de formulação e implementação de políticas públicas eficazes, associadas ao desenvolvimento de tecnologias e estratégias adaptativas capazes de fortalecer as comunidades do Semiárido. Dessa forma, é necessário articular ações que convergem para um esforço global de proteção do meio ambiente e do clima, reforçadas pela Agenda 2030 e os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Assim, o objetivo principal desse projeto consiste em identificar as alterações nos graus de vulnerabilidade socioambiental do semiárido brasileiro, refletindo sobre a capacidade adaptativa das populações diante dessas transformações. A estruturação da base de dados geográficos é necessária para possibilitar um diagnóstico mais efetivo da realidade, bem como promover uma análise integrada preconizada pelo IPCC (2022). Assim, o projeto adota procedimentos metodológicos já utilizados em etapas anteriores, adaptados a área de estudo, promovendo análises estatísticas e comparativas em diferentes décadas. Entre os procedimentos previstos destacam-se: a análise dos desastres ambientais registrados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil entre 1991 e 2024, considerando diferentes subgrupos e tipologias de eventos, sua distribuição espacial e impactos socioambientais; a construção de indicadores socioeconômicos a partir dos Censos Demográficos (2010 e 2022) e Agropecuários (2006 e 2017), em consonância com o arcabouço teórico-metodológico do IPCC (2022); a elaboração de indicadores relacionados à ameaça à desertificação, incluindo a análise das mudanças no uso e cobertura da terra com base nos dados da plataforma MapBiomas; e a incorporação de variáveis climatológicas derivadas das bases de dados de Lucena et al. (2023) e Xavier et al. (2016, 2022), permitindo avaliar tendências e mudanças nos padrões climáticos regionais. Os resultados contribuirão para subsidiar o planejamento e ações para mitigação e adaptação às mudanças climáticas e aos processos de desertificação na região, fornecendo subsídios aos processos de planejamento e à gestão dos territórios, à implementação de políticas públicas integradas, bem como insumos para a adoção de medidas mitigadoras destinadas ao semiárido brasileiro. Palavras-chave: Desastres ambientais. Vulnerabilidade Social.
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