Projeto de pesquisa, UFPB
Fungos agaricoides e demais macrofungos das regiões Norte e Nordeste do Brasil
Descrição
Os macrofungos são caracterizados por produzirem “corpos de frutificação” denominados ascoma (Ascomycota) e basidioma (Basidiomycota). A morfologia é diversa e são conhecidos com diversos nomes, como por exemplo, cogumelos, orelhas-de-pau, dedo-de-defunto, entre outros. Em Ascomycota os macrofungos estão concentrados no subfilo Pezizomycotina, e em Basidiomycota no subfilo Agaricomycotina. Em Pezizomycotina observamos as classes Pezizomycetes (discomicetos), Lecanoromycetes (o gênero Cladonia) e Sordariomycetes (abrangendo Hypoxylon, Xylaria e Ophiocordyceps). Já em Basidiomycota, observamos os fungos gelatinosos (Sebacina e Tremella), clavarioides/coraloides (Clavulina, Phaeoclavulina), também basidioliquens (Cora e Dyctionema), e cogumelos e morfologia similar (p.ex., representantes de Agaricales e Boletales, gêneros Cantharellus, Gloeocantharellus, Lactifluus). Estimativas recentes sobre a diversidade de fungos referiram que possam existir até 2,5 milhões de espécies as quais muitas ainda estão desconhecidas por provavelmente habitarem biomas pouco explorados taxonomicamente, principalmente nas regiões tropicais. Esta estimativa pode ser aplicada ao Brasil, um país megadiverso o qual se estima possuir pelo menos sete vezes mais espécies de todos os organismos inclusive macrofungos, os quais são poucos estudados taxonomicamente, tanto na Paraíba como demais estados do Nordeste e também Norte do Brasil. O proponmente, apesar do foco de pesquisa estar centrado em fungos agaricoides e de similar morfologia, tem frequentemente coletado vários macrofungos dos grupos supramencionados os quais garantiram publicações tanto em revista internacionalmente quanto nacionalmente indexadas. Em Ascomycota, o proponente tem descoberto fungos simbiontes com plantas (ectomicorrízico) com Pseudotulolostoma volvatum e algas (liquens) com Cladonia furfuraceoides, e também fungos sapróbios com os discomicetos Cookeina tricholoma e Plectania rhytidia na Amazônia e Mata Atlântica da Paraíba, e entomopatogênico com Mattirolella. Em Basidiomycota destaca-se a descoberta do fungo gelatinoso Sebacina aureomagnifica em áreas de Mata Atlântica da Paraíba e Caatinga no estado da Bahia. Este projeto justifica-se baseando na hipótese que muitas espécies macrofungos ainda podem ser descobertas, constituindo novos registros de ocorrência e novas espécies. Para isso, estão sendo continuamente realizadas diversas coletas em áreas na Mata Atlântica e Caatinga da Paraíba e outros estados do nordeste. Sendo assim, o objetivo do presente projeto é coletar, identificar e descrever espécies de macrofungos de áreas de Mata Atlântica e Caatinga principalmente no estado da Paraíba, e coletas recebidas de colaboradores da Amazônia Brasileira (p.ex., Dra. Dirce L. Komura) propiciando aumento do conhecimento sobre sua riqueza e distribuição nos neotrópicos. Foram realizadas coletas nas seguintes áreas: FLONA Restinga de Cabedelo, Parque Estadual Mata do Pau-Ferro, REBio Guaribas, RPPN Fazenda Almas, APA Barra do Rio Mamanguape, Campus do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (RDS do Tupé), São Gabriel da Cachoeira, PARNA do Viruá, Flona Tapajós, entre outras. As coletas foram realizadas sempre no período de maior pluviosidade de cada bioma, pois os fungos agaricoides em geral apenas produzem basidioma durante este período. Será utilizada a metodologia proposta usual de coletas para cada grupo de macrofungos. Para análise do DNA, partes dos basidiomas são acondicionadas em tubos de Eppendorff e serão mantidos em refrigeração até o início da etapa de extração do DNA, no Laboratório Multiusuário do PPGCB. As sequencias extraíadas serão depositadas no GenaBank.
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