Projeto de pesquisa, UFPB
CARTOGRAFIAS DE CORPOS LGBTTQIAPNb+ NA QUÍMICA: linhas de fuga que (re)agem à cisheteronormatividade
Descrição
Este projeto se propõe a cartografar corpos LGBTTQIAPNb+ na Química, acompanhando os modos como estudantes, pesquisadoras(es) e docentes habitam, tensionam e reinventam os espaços da formação, da produção do conhecimento e da docência frente aos regimes cisheteronormativos que historicamente atravessam esse campo científico. A pesquisa se pergunta: que experiências, memórias e práticas docentes produzem outras formas de existir na Química? Como os discursos cisheteronormativos atravessam a formação acadêmica, a produção científica e os cotidianos das universidade(s)cola(s)? Que presenças permanecem invisibilizadas nas narrativas autorizadas da ciência e que linhas de fuga anunciam outras possibilidades de ensinar, pesquisar e aprender Química? Amparada na teoria queer, nos Estudos Culturais em Educação e nas filosofias da diferença, a investigação compreende os corpos LGBTTQIAPNb+ como territórios de produção de conhecimento, acompanhando afetos, deslocamentos, silêncios, resistências e invenções, recusando representações fixas ou identidades estabilizadas. A pesquisa organiza-se em três planos de trabalho articulados, que agregam três dobras metodológicas. A primeira cartografa as vivências de estudantes LGBTTQIAPNb+ da graduação e da pós-graduação em Química da Universidade Federal da Paraíba, produzindo relatosvivências construídos a partir de encontros-conversa que acolhem memórias, afetos e experiências de formação. A segunda volta-se à cartografia das (re)existências de pesquisadoras(es) LGBTTQIAPNb+ na Química, acompanhando, por meio de pesquisa bibliográfica e documental, fragmentos de trajetórias, memórias e produções científicas que tensionam os processos de invisibilização e reconhecimento desses sujeitos, compondo biografemas científicos inspirados em Roland Barthes. E a terceira dobra dedica-se às docências LGBTTQIAPNb+ na Química, acompanhando docentes da Educação Básica e do Ensino Superior em conversas cartográficas que permitam compreender os modos pelos quais inventam práticas pedagógicas, negociam permanências e produzem outras formas de ensinar, pesquisar e existir nas universidade(s)cola(s). Inspirada em Butler, Preciado, Deleuze, Guattari, Passos, Kastrup, Escóssia, Certeau, Corazza, Barthes e outros(as), esta investigação assume a cartografia como prática de pesquisa que se faz no movimento, acompanhando processos, intensidades e encontros, sem pretender capturar totalidades ou estabilizar sujeitos. Ao colocar em relação experiências estudantis, trajetórias científicas e práticas docentes, buscamos produzir outras narrativas para a Educação Química, ampliando os regimes de visibilidade de corpos LGBTTQIAPNb+ e afirmando a ciência como território de diferença, criação, justiça social e produção coletiva de conhecimento. Nessa direção, o projeto dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 4 (Educação de Qualidade) e o ODS 5 (Igualdade de Gênero), apostando na potência das (re)existências como movimento ético, político e formativo para a reinvenção da Química e da educação.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.