Projeto de pesquisa, UFPB
Biogeografia e sistemática de aracnídeos e miriápodes, com ênfase na Mata Atlântica nordestina
Descrição
A porção norte da Mata Atlântica é a menos conhecida quanto a sua biodiversidade, principalmente para alguns grupos de artrópodes, como os aracnídeos e os miriápodes. Muitas novas espécies e táxons supra-específicos destes grupos vêm sendo descritos e coletados, mas ainda têm- se poucos recursos humanos e financeiros para lidar com a construção deste conhecimento. Este conhecimento pode ser de grande relevância para estudos em biogeografia histórica, ou seja, aprofundando o entendimento sobre os padrões e causas das distribuições dos organismos, em uma área de alto nível de endemismo e grande degradação ambiental, como são as áreas de endemismo Pernambuco e Brejos Cearenses. Os opiliões (Arachnida) têm sido usados para revelar aspectos importantes dessa história, como as áreas de endemismo que a compõe e os principais eventos de disjunção e diversificação da fauna. Esses animais são bons objetos para esse tipo de estudo pelo alto grau de endemismo que apresentam. O presente projeto pretende estudar a sistemática de aracnídeos e miriápodes dessa região e usar esses organismos para aprofundar o entendimento sobre a história biogeográfica da região, focando nos opiliões. Serão usadas no presente projeto três fontes de evidências indicadoras da história da Floresta: a coincidência na distribuição de espécies, as árvores filogenéticas de táxons com representantes endêmicos e a sistemática das espécies que vivem nessas áreas, especialmente os táxons novos. As filogenias serão usadas, junto com modelos de tempos de divergência, de história demográfica e de eventos biogeográficos (vicariância, dispersão, extinção), para a reconstrução da história biogeográfica dos táxons. Serão descritas espécies novas da região Nordeste e construídas hipóteses filogenéticas para acrescentar novas relações que possam fornecer mais evidências às análises biogeográficas. Pretende-se obter uma nova delimitação de áreas de endemismo, aprofundar nos padrões de transições entre essas áreas e ecótonos, apresentar cladogramas gerais das áreas de endemismo e, com isso, testar as hipóteses e inferir eventos e processos mais importantes para a história de diversificação da Mata Atlântica.
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