Projeto de pesquisa, UFPB
URBANIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA DE JOÃO PESSOA: PRODUÇÃO DO ESPAÇO E NOVAS PRÁTICAS SÓCIOESPACIAIS
Descrição
A cidade de João Pessoa vem passando nos últimos 20 anos por uma expressiva dinamização da produção imobiliária. De uma cidade que até a década de 1980 estava extremamente limitada às atividades estatais ligadas ao fato de ser a capital do estado da Paraíba e a uma insipiente industrialização incentivada pelas políticas da SUDENE, hoje se verifica uma cidade que teve seu tecido urbano estendido de forma acelerada nas últimas décadas, apresentando novas dinâmicas urbanas que apontam para progressiva transformação da terra urbana e dos lugares em novas fronteiras para a acumulação econômica. Procuraremos apresentar nesse trabalho uma pesquisa que busca pensar a urbanização contemporânea de João Pessoa a partir das contradições geradas pela imposição de uma produção hegemônica do espaço, com o avanço do setor imobiliário para diversas regiões da cidade, produzindo grandes condomínios verticais ou horizontais. Nosso estudo se pauta na investigação de como esses equipamentos transformam os lugares, conduzindo a mudanças no uso concreto da cidade em sua totalidade. Essa dinamização do setor imobiliário revela uma produção espacial que consome uma parcela significativa de espaço, que produz lugares fechados à cidade, exclusivos para o uso das classes mais abastadas. Essa dinâmica pode ser observada sobretudo nas regiões próximas à extensa orla da cidade, mas também na periferia e mesmo em municípios vizinhos, sejam litorâneos como em cidades de serra, no interior, onde se observa a produção de condomínios fechados para a construção de casas de fim de semana das classes média-alta e alta de João Pessoa. Esse processo revela, para além do fechamento de grandes espaços à cidade, a produção de determinados modos de apropriação do espaço urbano, cada vez mais ligados à lógica da produção do espaço como mediação da acumulação ampliada do capital. Ou seja, a reprodução das estratégias hegemônicas, ao mesmo tempo que transformam a morfologia urbana, produzem novos modos de usar a cidade, que se substanciam em um processo avançado de segregação socioespacial. Esses "novos produtos imobiliários", que se difundem para determinadas regiões da cidade, propõem uma vida cotidiana fragmentada vivida em lugares específicos em momentos específicos, baseada no deslocamento de carro pela cidade. A expansão desses novos modos de usar o espaço urbano nega a cidade enquanto espaço da vida social e coletiva, onde os diferentes grupos sociais possam usar concretamente o espaço da cidade. Em João Pessoa, essa produção hegemônica do espaço é capitaneada por um número reduzido de empresas (incorporadoras, construtoras e imobiliárias) que são em sua maioria locais. Ou seja, é uma produção que apresenta uma ampla dominação sobre o espaço da cidade e, através da mediação do Estado, realiza suas estratégias com grande eficácia, a despeito do interesse da sociedade como um todo. Embora as estratégias dos agentes hegemônicos se realizem com força, movimentos sociais de moradia evidenciam as contradições entre a cidade produzida como mercadoria e a cidade se realizando contraditoriamente como lugar da vida concreta.
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