Projeto de pesquisa, UFPB
Microbiota associada a abelhas sem ferrão: biodiversidade e potenciais papéis funcionais
Descrição
As abelhas sem ferrão estabeleceram uma complexa rede de interação com microrganismos. Esses microrganismos conferem vantagens adaptativas a essas abelhas ao promoverem a transformação dos alimentos armazenados através da sua capacidade fermentativa, produção de enzimas e ácidos orgânicos. Além disso, outros compostos produzidos por eles, como substâncias antimicrobianas e esteróides, contribuem no fortalecimento da defesa imunológica da colônia ou na suplementação alimentar da sua dieta, sugerindo que eles são essenciais para o ciclo de vida desses insetos. Um grande número de espécies de bactérias, leveduras e fungos filamentosos já foram descritos nesses ambientes, incluindo a descoberta de diversas espécies novas, destacando a importância de estudos desse grupo de abelhas e sua microbiota associada. No entanto, essa biodiversidade é pouco conhecida e o papel desses microrganismos na interação com as abelhas ainda carece de elucidação. No âmbito deste projeto, já foram realizadas coletas em colmeias de treze espécies de abelhas sem ferrão na Paraíba, resultando em uma coleção com mais de 400 isolados de bactérias, leveduras e fungos filamentosos, preservados no Laboratório de Hidrologia, Microbiologia e Parasitologia (LAHMP). Entre os achados mais relevantes, destaca-se a descoberta de um novo gênero de fungo, com pelo menos duas novas espécies, associado às células de cria de abelhas endêmicas do Nordeste, indicando possível coevolução geográfica. Nesse contexto, o projeto segue em andamento com o objetivo de ampliar o isolamento de microrganismos de diferentes compartimentos da colmeia (células de cria, superfície corporal, intestino e produtos armazenados), além de realizar a identificação das cepas da coleção do LAHMP e avaliar o potencial antagônico dos isolados. Os resultados aqui obtidos poderão ajudar a avançar no conhecimento da interação microrganismos-abelhas sem ferrão, bem como contribuir para um melhor planejamento de estratégias de conservação para as espécies nativas e seus parceiros simbiontes.
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