Projeto de pesquisa, UFPB
Plataformização do trabalho e suas implicações para o Serviço Social brasileiro na atualidade
Descrição
Este protocolo de pesquisa tem como objetivo central analisar as implicações da plataformização do trabalho nas relações de trabalho de assistentes sociais e os desafios contemporâneos enfrentados pelo Serviço Social diante das novas configurações do trabalho considerando as dinâmicas presentes nas plataformas digitais instagram e youtube. O foco da análise recai sobre a elaboração de conteúdos teórico-metodológicos relacionados ao Serviço Social em redes sociais como o Instagram e o YouTube. Nessa perspectiva, o estudo busca apreender as mutações no mundo do trabalho e as implicações dessas mudanças no exercício profissional de assistentes sociais advindas da plataformização, norteando-se pela indagação: De que maneira a plataformização do trabalho, evidenciada nas plataformas digitais Instagram e YouTube, impacta as condições de trabalho de assistentes sociais e quais desafios essa realidade impõe à atuação do Serviço Social no cenário contemporâneo?. Diante disso, a investigação fundamenta-se na necessidade de mapear a atuação de assistentes sociais que produzem conteúdo digital em matéria de Serviço Social nas redes sociais, visando desvelar as tendências e as novas configurações dessa processualidade laboral. O interesse pelo objeto de análise surgiu do amadurecimento de pesquisas de iniciação científica anteriores, tais como Capitalismo de plataforma e o Serviço Social: uma análise do trabalho de assistentes sociais na era digital Plataformização do trabalho e Serviço Social: tendências e desafios na contemporaneidade. Nesse direcionamento, apontamos como uma das principais tendências identificadas nas referidas pesquisas foram: a constatação de que no período da pandemia houve um crescimento exponencial com a ampliação do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC´s) no trabalho de Assistentes Sociais e a ampliação da inserção destes profissionais nas plataformas digitais instagram e youtube; plataformas como Instagram e YouTube passaram a ocupar espaço na sociabilidade contemporânea do trabalho de assistentes sociais, possibilitando o surgimento de atividades vinculadas à produção de conteúdo digital, publicidade, empreendedorismo, trabalho autônomo, entre outros. Embora essas plataformas sejam frequentemente associadas à ideia de autonomia, flexibilidade e visibilidade, também evidenciam relações de trabalho instáveis, ausência de direitos trabalhistas e intensificação da exploração da força de trabalho mediada pelas tecnologias digitais. É notório que a expansão das plataformas digitais têm reconfigurado profundamente as relações de trabalho no cenário contemporâneo, impulsionando novas formas de produção, consumo, geração de renda e de exploração do trabalho. Nesse contexto, a plataformização do trabalho emerge como uma das expressões mais significativas das transformações do capitalismo contemporâneo, marcada pela flexibilização, informalidade e precarização das condições laborais (Grohmann, 2020; Antunes, 2020; Antunes, Basso, Perroco, 2023). Assim, diante desse cenário e das novas expressões da questão social decorrentes das transformações no mundo do trabalho, especialmente aquelas relacionadas à desproteção trabalhista vivenciadas por trabalhadores e trabalhadoras inseridos nas plataformas digitais que se inserem os assistentes sociais produtores de conteúdos digitais em matéria de Serviço Social. Assim, torna-se relevante investigar como essas mudanças impactam as condições de trabalho e quais desafios são colocados para a atuação profissional do assistente social nessas plataformas. A escolha do tema justifica-se pela necessidade de ampliar o debate acadêmico sobre a plataformização do trabalho e suas implicações sociais, contribuindo para a reflexão crítica acerca das demandas contemporâneas que atravessam o campo do Serviço Social e das reconfigurações do trabalho na atualidade. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de caráter exploratório e descritivo nos meios digitais via plataforma instagram e youtube, de natureza quali-quantitativa, orientada pelo método do materialismo histórico dialético indispensável à apreensão da essência do nosso objeto de estudo, pois permite capturar a reprodução ideal do movimento e dinâmica do objeto de estudo em sua totalidade. O recorte temporal adotado neste estudo compreende os anos de 2020 a 2026, período definido pelo aprofundamento do fenômeno da plataformização do trabalho de assistentes sociais nas plataformas digitais instagram e youtube. Tais espaços consolidaram-se como espaços de monetização, marcados pelo empreendedorismo digital e pela ampliação do trabalho informal. Esta delimitação temporal abrange a ampliação do uso das tecnologias de informação e de comunicação e a reconfiguração das redes sociais em ferramentas laborais centrais sob a lógica do capitalismo de plataforma. O intervalo inclui, fundamentalmente, os desdobramentos da pandemia de covid-19, fase que impulsionou o trabalho mediado por TICs e pela mediação algorítmica do trabalho e ampliou quadros de informalidade e precarização nas relações de trabalho.Dessa forma, o período escolhido viabiliza uma análise consistente sobre as mutações contemporâneas no mundo do trabalho e no Serviço Social. Diante da multiplicidade de mídias sociais existentes no cenário atual, a pesquisa delimita como recorte para análise o Instagram e o Youtube, pois têm como conteúdos prioritários imagens e vídeos, bem como possibilitam maior interação entre os perfis e seus respectivos seguidores e inscritos através de comentários, curtidas e mensagens. Assim, na pesquisa atual, a análise se amplia para a atuação dos/as profissionais assistentes sociais no Instagram e o Youtube, através de uma abordagem empírica, a fim de aprofundar a compreensão acerca das implicações e desafios que envolvem o trabalho de assistentes sociais produtores de conteúdos em matéria de Serviço Social em plataformas digitais, no contexto da plataformização do trabalho.
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