Projeto de pesquisa, UFPB
SAÚDE MENTAL DE MULHERES DONAS DE CASA: IDENTIDADE FEMININA E RELIGIOSIDADE
Descrição
O trabalho doméstico não remunerado, contínuo e socialmente invisibilizado, constitui um dos principais sustentáculos da reprodução da vida social, embora permaneça pouco reconhecido e frequentemente naturalizado como uma atribuição inerente à condição feminina. Nesse contexto, as donas de casa, em geral, dedicam-se integralmente ao cuidado do lar e da família, organizando suas trajetórias pessoais em torno das demandas conjugais, maternas e domésticas. Tal configuração pode restringir oportunidades de autonomia econômica, participação social e desenvolvimento de projetos individuais, produzindo modos específicos de subjetivação e diferentes repercussões para a saúde mental dessa categoria social. Partindo da compreensão de que a experiência de ser dona de casa é atravessada por marcadores sociais e interseccionais, este estudo busca compreender como essas mulheres significam suas vivências e quais fatores estão associados à produção ou à proteção do sofrimento psíquico. Pretende-se problematizar elementos como a sobrecarga do cuidado, o lugar socialmente ocupado, a percepção de si enquanto agente social e demais dispositivos culturais (como a religião) que sustentam determinadas expectativas acerca dos papéis femininos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, a partir de entrevistas individuais com 20 mulheres, exclusivamente donas de casa, mães e casadas com homens. A composição da amostra será pelo método "bola de neve", buscando contemplar perfis socioeconômicos heterogêneos quanto à idade, raça, escolaridade, religião, número e idade dos filhos, condição econômica e existência ou não de renda própria. As entrevistas serão gravadas, transcritas integralmente e conduzidas a partir de um roteiro semiestruturado composto por 25 questões, complementado por um questionário sociodemográfico. O material empírico será analisado por meio da Análise de Discurso, de orientação feminista, compreendendo os discursos como práticas sociais produtoras de subjetividades e relações de poder. Espera-se que a pesquisa contribua para apreender os sentidos atribuídos ao trabalho de cuidado realizado, como atravessam as experiências das donas de casa e fortalecer o debate sobre as relações entre gênero e saúde mental.
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