Projeto de pesquisa, UFPB
APEGO, TRAUMA PRECOCE MATERNO E AUTOCOMPAIXÃO COMO FATORES PSICOSSOCIAIS ASSOCIADOS À QUALIDADE DO VÍNCULO PARENTAL
Descrição
O vínculo estabelecido entre pais ou cuidadores principais e seus filhos constitui um dos pilares do desenvolvimento socioemocional infantil, sendo moldado por fatores intergeracionais, psicossociais e contextuais. Experiências adversas vivenciadas pelos próprios pais durante a infância, sobretudo traumas precoces, têm sido associadas a maior insegurança no apego adulto, a níveis mais elevados de estresse parental e a maior dificuldade na construção de vínculos parentais responsivos. Em contrapartida, a autocompaixão, compreendida como a capacidade de se relacionar com as próprias falhas e dificuldades de forma gentil, sem julgamentos excessivos, tem sido descrita na literatura como um fator protetivo, capaz de atenuar os efeitos de experiências adversas sobre a parentalidade. Este projeto tem como objetivo investigar as relações entre histórico de trauma precoce, estilo de apego adulto, autocompaixão, estresse parental e qualidade do vínculo estabelecido com os filhos. Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa e correlacional. Participarão pais, mães ou cuidadores principais de crianças em idade escolar (6 a 11 anos), recrutados por meio de divulgação em plataformas digitais, redes sociais e instituições de ensino, totalizando aproximadamente 110 participantes. Serão utilizados um questionário sociodemográfico e os seguintes instrumentos, todos validados para a população brasileira: Questionário sobre Traumas na Infância (QUESI), Experiences in Close Relationships – Revised (ECR-R), Escala de Autocompaixão (SCS), Depression, Anxiety and Stress Scale (DASS-21) e Parent-Child Relationship Inventory (PCRI). Espera-se identificar associações significativas entre histórico de trauma precoce, padrões de apego inseguro, menores níveis de autocompaixão, maior estresse parental e pior qualidade do vínculo parental, bem como verificar em que medida a autocompaixão atua como fator moderador dessas relações. Os resultados deste projeto poderão subsidiar a compreensão dos mecanismos psicossociais envolvidos na transmissão intergeracional de padrões relacionais, contribuindo para o planejamento de estratégias de promoção da saúde mental parental e de fortalecimento de vínculos familiares no contexto brasileiro.
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