Projeto de pesquisa, UFPB
A cartografia do poder na Paraíba da Primeira República: os municípios diante das disputas oligárquicas.
Descrição
A Paraíba, ao longo da Primeira República, foi dominada por duas grandes oligarquias: a liderada por Álvaro Machado, conhecida como alvarista, que controlou o estado por 20 anos, de 1892 a 1912, e a que tinha Epitácio Pessoa como chefe, a epitacista, que se estendeu de 1915 a 1930. Antes delas, um breve período de acomodação pós Proclamação da República, em que o governo paraibano esteve nas mãos de Venâncio de Figueiredo (1889-1892), e entre elas, um período de disputas entre os herdeiros de Álvaro Machado e Epitácio Pessoa, que se prolongou por três anos (1912-1915). A Paraíba tornou-se conhecida na historiografia brasileira como um dos casos de domínio oligárquico mais longevo na Primeira República (CARONE, 1977). Apesar de tão duradouros, tais domínios não se deram de forma absoluta, sem o registro de movimentos oposicionistas, cisões e defecções no interior de cada um deles (RODRIGUES, 1989). A cada um desses movimentos, lideranças oligárquicas municipais eram alteradas, com o revezamento de grupos nas posições de poder no município. Nos idos da Primeira República, a Paraíba era um estado de economia primária, essencialmente agrária, voltada para a produção e exportação do açúcar e do algodão. Os amplos latifúndios marcavam a paisagem e o domínio político em âmbito municipal era exercido, basicamente, por dois grupos oligárquicos, proprietários de terra, que se colocavam na posição de situação e oposição, disputando a chefia política e se revezando à frente do poder. Em um estado de economia tão precária não havia espaço para maior complexidade na divisão política. E a ausência de maior complexidade econômica, política e social fazia com que a o estado paraibano, ao longo da Primeira República, estivesse dividido em apenas 40 municípios. Tendo como objeto central de pesquisa o domínio exercido pelos grupos oligárquicos em âmbito municipal na Paraíba ao longo da Primeira República, essa proposta de trabalho visa investigar a filiação dos municípios e suas respectivas lideranças oligárquicas frente aos domínios alvarista e epitacista, tomando quatro momentos fundamentais de transformação no jogo político estadual: a afirmação da liderança de Álvaro Machado (1892), as cisões ocorridas ao longo da oligarquia alvarista, a transição entre o alvarismo e o epitacismo (1915) e o momento de ruptura de João Pessoa com a sua base oligárquica (1928-1930). Certamente, as alterações políticas não se deram de forma mecânica e simultânea em todos os 40 municípios ao longo de todo o período que pretendemos trabalhar, havendo inúmeros casos particulares que não obedeceram a esses marcos temporais citados, que serão tratados em cada fase do projeto. O presente projeto está pautado nas discussões trazidas pela historiografia paraibana (ROLIM, 1979; RODRIGUES, 1989; SANTANA, 1990; MELLO, 1992; FERREIRA, 1993; GALIZA, 1993; LEWIN, 1993; GURJÃO,1994; MARIZ, 1999; ANJOS, 2009; CITTADINO, 2010; MARIANO, 2010; PEREIRA, 2013); bem como de obras que discutem aspectos políticos do período em âmbito nacional (LEAL, 1997; VISCARDI, 2001; FERREIRA e PINTO, 2003; FANAIA , 2010; RICCI e ZULINI, 2014; RICCI e ZULINI, 2016; PINTO, 2016). A metodologia será desenvolvida a partir de 05 eixos: 1. pesquisa em fontes bibliográficas secundárias, 2. em periódicos paraibanos, 3. em obras memorialistas, 4. em sites da internet que tratam da história de diversos municípios, 5. em almanacks e anuários.
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