Projeto de pesquisa, UFPB
ASPECTOS MORFOFISIOLÓGICOS, PRODUTIVOS E DE QUALIDADE DE VARIEDADES DE MANDIOCA SOB MANEJOS CULTURAIS
Descrição
Manihot esculenta Crantz é uma planta originária da América do Sul e tem no Brasil o principal centro de dispersão. Desempenha um importante papel na dieta alimentar dos brasileiros, por seu alto teor energético. É a terceira fonte mais importante de calorias em todo o mundo, sustentando cerca de 700 milhões de pessoas, atrás apenas do arroz e do milho (EMBRAPA, 2023). A mandioca é uma cultura tradicional de grande importância para a agricultura familiar no Brasil e no mundo, sendo necessário valorizar e reconhecer o papel sociocultural e de segurança alimentar e nutricional que essa cultura desempenha (SANTOS et al., 2024; OLIVEIRA, 2025). De acordo com Leão (2021), muitos fatores contribuem para menores números em produção da mandiocultura, principalmente o uso de material genético de baixo potencial, o manejo incorreto do solo, bem como a presença de pragas e doenças. A escolha de variedades mais adaptadas a uma região permite incremento em produtividade da cultura (FERREIRA et al., 2024). Pinheiro et al. (2021) discutem que a falta de práticas de manejo e conservação do solo adequadas também podem comprometer o desenvolvimento vegetativo e consequentemente a produção de raízes tuberosas. Conforme Maciel Troian e Oliveira (2022), por meio da agricultura de base agroecológica, objetivam-se a conservação dos recursos naturais, oferta permanente de alimentos nutritivos, permanência das famílias no campo a partir do manejo sustentável dos solos, a valorização dos saberes locais e a independência dos agricultores para comercialização de seus produtos. Com tais características, vislumbra-se a agroecologia como uma via que coaduna a agricultura familiar e a sustentabilidade no espaço rural. De acordo com Paula et al. (2024) mesmo esta euforbiácea apresentando facilidade de cultivo, o plantio precisa de cuidados específicos que permitam um bom desenvolvimento para a raiz e demais estruturas da planta. É fundamental adotar práticas mais sustentáveis no manejo do solo, além de implementar estratégias eficazes para controlar doenças e impedir que plantas invasoras disputem os nutrientes essenciais no crescimento da mandioca. Durante seu ciclo, a mandioca não apresenta alta percentagem de cobertura no solo; portanto, sempre que possível, deve ser plantada em consórcio com outras espécies. Para Costa et al. (2024), o desenvolvimento de sistemas de cultivos consorciados com diferentes espécies, vem de encontro com a otimização da produção por área e a qualidade do produto, sendo um importante componente dos modelos agrícolas sustentáveis. O cultivo consorciado de duas culturas como a mandioca e uma leguminosa, pode ser uma alternativa para melhorar o aproveitamento da área, ocupação do solo e geração de alimentos e renda. De acordo com Silva (2022), o manejo dos nutrientes para as plantas é componente vital da agricultura sustentável. Assim, o uso de microrganismos como biofertilizante é considerado o melhor substituto dos fertilizantes minerais. Este atua de forma ecológica para o crescimento das plantas e fertilidade do solo. Os microrganismos solubilizadores de fosfato são conhecidos pela capacidade de promover o crescimento de plantas através da conversão da forma insolúvel de fósforo em forma solúvel (KOUR et al., 2020). A cultura da mandioca extrai grande quantidade de nutrientes do solo e, em função disto, a presença de nutrientes em quantidades adequadas no solo favorece a sua produtividade. Rós et al. (2013), mencionar que a adição de esterco de galinha, até a dose de 18 t ha-1, promove aumento na produtividade de raízes de mandioca, em função da elevação no número de raízes por planta e de melhorias nas propriedades químicas e físicas do solo. Nesse contexto, observar a influência que a adubação convencional (NPK), adubação orgânica e as práticas agroecológicas integradas irão proporcionar na morfofisiologia e como potenciais promotores do aumento da produtividade e qualidade das raízes da mandioca, apresentam-se como uma alternativa interessante a ser avaliada. A pesquisa será conduzida numa área experimental em campo, pertencente ao Setor de Agricultura do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias, Campus III, da Universidade Federal da Paraíba, localizada no município de Bananeiras, PB. O clima da região é classificado como As’, quente e úmido (BRASIL, 1972). O solo da área experimental é classificado como Latossolo Amarelo Distrófico (SANTOS et al., 2013). O delineamento experimental será em blocos ao acaso, com esquema fatorial 3 × 4, totalizando 12 tratamentos, referente as variedades de mandioca e manejos (testemunha, convencional (NPK), orgânico e práticas agroecológicas integradas), com 4 blocos. Os dados serão submetidos aos testes de normalidade (Shapiro–Wilk), homogeneidade (Bartlett) e, atendidos os pressupostos, será realizada análise de variância (ANOVA two-way), Bonferroni como teste de média, PCA para avaliar as dissimilaridades entre os 12 tratamentos e regressão múltipla para estimar produtividade. Palavras-chave: Manihot esculenta Crantz. Adubação. Convencional. Orgânica. Agroecológica.
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