Projeto de pesquisa, UFPB
Trump contra a Saúde Global: negacionismo, nacionalismo e a desestruturação da cooperação internacional em saúde
Descrição
O projeto investiga os impactos da agenda política dos governos de Donald Trump sobre a saúde global, com foco nos efeitos do nacionalismo sanitário, do unilateralismo e do negacionismo científico na cooperação internacional em saúde. A pesquisa parte do contexto das transformações recentes da governança global em saúde, intensificadas pela pandemia de COVID-19, que evidenciou tanto a importância dos mecanismos multilaterais de coordenação quanto as disputas geopolíticas relacionadas ao acesso a vacinas, tecnologias e recursos estratégicos. O objeto de investigação consiste na análise das políticas domésticas e internacionais implementadas durante os mandatos de Trump e seus efeitos sobre instituições multilaterais, mecanismos de financiamento, políticas científicas e arranjos de cooperação internacional em saúde. O referencial teórico articula contribuições dos estudos de saúde global, governança internacional, nacionalismo populista e economia política da saúde. Destacam-se os trabalhos de Bollyky e Bown (2020) sobre nacionalismo vacinal; Copelovitch e Pevehouse (2019), Chryssogelos (2020) e Van der Veer e Meibauer (2024) sobre populismo e organizações internacionais; Harman e Davies (2019), Davies e Wenham (2020), Buse e McKee (2024) e Gostin et al. (2020) sobre governança global da saúde; além das análises de Singh (2022), Degooyer e Murthy (2022) e Greer (2017) sobre nacionalismo sanitário e saúde em contextos de ascensão da direita populista. A pesquisa busca responder às seguintes questões: de que forma o nacionalismo sanitário e o negacionismo científico influenciaram as políticas de saúde dos governos Trump? Como essas orientações contribuíram para o enfraquecimento do multilateralismo e da cooperação internacional em saúde? Quais foram os impactos dessas políticas sobre o financiamento da saúde global, a produção e circulação de tecnologias em saúde e a capacidade de resposta internacional a emergências sanitárias? Além disso, investiga-se se o afastamento dos Estados Unidos de organismos multilaterais abre espaço para novas lideranças e arranjos de cooperação internacional, especialmente envolvendo Europa, China, Índia e os BRICS. O objetivo geral é analisar os efeitos da agenda política do governo Trump sobre a saúde global, examinando suas repercussões sobre a governança internacional da saúde, o multilateralismo, a cooperação internacional, o financiamento da saúde global, as políticas de ciência, tecnologia e inovação em saúde e as disputas geopolíticas associadas à produção e ao acesso a tecnologias estratégicas. A pesquisa pretende contribuir para a compreensão das transformações contemporâneas da ordem internacional em saúde e dos desafios colocados à cooperação global diante do avanço de agendas nacionalistas e anticientíficas.
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