Projeto de pesquisa, UFPB
Sobrevivência e comportamento de Salmonella enterica resistente a antimicrobianos em frutas minimamente processadas sob condições variáveis de temperatura e umidade.
Descrição
O presente projeto está inserido na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com interface direta com a Microbiologia de Alimentos. O aumento da demanda por alimentos frescos, saudáveis e práticos tem impulsionado o consumo de frutas minimamente processadas, como melão e manga, destacando a importância da segurança microbiológica desses produtos. Entretanto, o processamento mínimo pode favorecer a contaminação e a sobrevivência de microrganismos patogênicos, como Salmonella enterica (S. enterica), um patógeno que apresenta relevância significativa em escala mundial para a saúde coletiva. Estimativas indicam que essa bactéria seja responsável por um número considerável de infecções gastrointestinais em todo o mundo. A salmonelose, doença causada pelo consumo de água ou alimentos com S. enterica, pode manifestar-se desde quadros leves de gastroenterite, caracterizados por febre, diarreia e cólicas abdominais, até infecções mais graves, especialmente em crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos, sendo necessário a hospitalização e administração de antibióticos. Embora a maioria das infecções seja autolimitada, a emergência de cepas resistentes aos antimicrobianos utilizados no tratamento representa uma importante ameaça à saúde pública, uma vez que infecções causadas por bactérias resistentes podem resultar em maior gravidade clínica, aumento da morbidade e mortalidade, além da redução da eficácia terapêutica. A transmissão de bactérias resistentes a antimicrobianos (RAM) através da cadeia alimentar é considerada uma ameaça à saúde pública global, e a crescente prevalência de bactérias RAM é atribuída ao uso imprudente de compostos antimicrobianos para o tratamento de infecções por S. enterica. Além disso, a ocorrência de variantes resistentes representa um desafio adicional para a segurança dos alimentos, uma vez que tais microrganismos podem apresentar maior capacidade de adaptação e persistência em diferentes condições ambientais. Estudos anteriores já demonstraram a persistência de S. enterica em frutas e vegetais minimamente processados; contudo, ainda são escassos os estudos que avaliam comparativamente a sobrevivência de cepas parentais e suas respectivas variantes resistentes em alimentos. Adicionalmente, não foram identificados estudos integrando microbiologia preditiva, evolução adaptativa e avaliação comportamental de cepas resistentes em manga e melão minimamente processados. Portanto, o presente projeto tem como objetivo compreender o comportamento de cepas resistentes de S. enterica em diferentes condições de temperatura e umidade e assim fornecer informações importantes para produtores, distribuidores, órgãos de fiscalização e consumidores, auxiliar na implementação de medidas que aumentem a segurança dos alimentos, e contribuir para a minimização de doenças transmitidas por alimentos, com proteção da saúde pública e a promoção do bem-estar da população.
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