Projeto de pesquisa, UFPB
VALORIZAÇÃO SUSTENTÁVEL DE SUBPRODUTOS DO CAFÉ (Coffea Arabica) POR MEIO DA MICROENCAPSULAÇÃO DE COMPOSTOS FENÓLICOS PARA APLICAÇÃO EM BEBIDAS ENERGÉTICAS POTENCIALMENTE FUNCIONAIS
Descrição
O setor cafeeiro gera volumes expressivos de subprodutos, com destaque para as cascas e a pele de prata do café. E apesar do descarte inadequado desses subprodutos representar um problema ambiental, constituem fontes promissoras de compostos bioativos, como flavonoides, taninos, ácidos orgânicos e cafeína, com reconhecido potencial funcional e amplamente associados a efeitos benéficos à saúde, como atividades antioxidante, anti-inflamatória, hipoglicemiante, cardioprotetora e neuroprotetora podendo ser aplicado na indústria de alimentos como ingredientes. Dessa forma, é essencial a adoção de estratégias que preservem a funcionalidade e a biodisponibilidade desses compostos. Nesse contexto, a microencapsulação com biopolímeros destaca-se por proteger compostos fenólicos e aumentar a bioacessibilidade em ensaios in vitro. Para a encapsulação de compostos bioativos, a seleção do material encapsulante é essencial para garantir a retenção e a estabilidade dos compostos fenólicos, especialmente em processos como a secagem por aspersão, amplamente utilizada na produção de micropartículas em pó. Estudos recentes têm demonstrado a crescente aplicação de extratos fenólicos microencapsulados em diferentes matrizes alimentares. No entanto, apesar dos avanços observados em diferentes produtos alimentícios, ainda são escassos os estudos que avaliam a incorporação de extratos fenólicos microencapsulados de subprodutos do café (casca e pele de prata) em bebidas energéticas. Além de atender à crescente demanda por bebidas funcionais e sensorialmente atrativas, a caracterização química, bioativa, aromática e sensorial das formulações é fundamental para identificar diferenças perceptíveis e auxiliar na consolidação do produto. Dentre as cultivares de café, destaca-se a Catucaí Amarelo, reconhecida por seu potencial produtivo e pela qualidade dos grãos. Essa variedade destaca-se pela qualidade sensorial e características agronômicas favoráveis, apresentando perfil sensorial complexo com notas de frutas, chocolate, caramelo e flores. Amplamente cultivada no Brasil, essa cultivar tem ganhado espaço na região do Brejo Paraibano, especialmente no município de Areia, onde iniciativas recentes têm contribuído para a retomada e o fortalecimento da cafeicultura local. Neste contexto, o presente projeto propõe avaliar os efeitos da incorporação de extratos fenólicos microencapsulados de subprodutos do café na formulação de bebidas energéticas. O estudo será conduzido com cascas oriundas de plantações experimentais da UFPB, no município de Areia-PB e de pele de prata da indústria São Braz S.A., localizada em Cabedelo-PB. Serão avaliadas as características físico-químicas da bebida, incluindo sólidos solúveis totais, pH, acidez titulável e cor. Os perfis de açúcares, ácidos orgânicos e compostos fenólicos serão determinados por cromatografia líquida de alta eficiência. As atividades antioxidante, anti-inflamatória, hipoglicemiante, cardioprotetora e neuroprotetora serão determinadas antes e após a simulação da digestão gastrointestinal in vitro, visando avaliar o potencial bioativo e a bioacessibilidade dos compostos presentes. Adicionalmente, serão caracterizados o perfil volátil por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, o perfil sensorial e a qualidade microbiológica da bebida por meio da contagem de bolores e leveduras, em conformidade com os padrões microbiológicos vigentes. A proposta visa gerar conhecimentos científicos aplicáveis à cadeia produtiva do café, agregando valor ao subproduto, promovendo sustentabilidade e contribuindo com 9 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.
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